Foi numa carta em 1887 que Lorde Acton (John Emerich Edward Dalberg-Acton; 1834-1902) escreveu que o poder leva a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente (power tends to corrupt and absolute power corrupts absolutely). Escreveu ainda que os grandes homens são quase sempre homens maus, mesmo quando se limitam a exercer influência e não a autoridade. Ele pretendia explicar ao destinatário da carta, um arcebispo da igreja anglicana, Mandell Creighton, quão reprovável é considerar todos os actos dos grandes personagens históricos de maneira benigna, de maneira diversa da que se usa ao julgar os vulgares mortais. E procurava exprimir a sua reprovação perante tal facto.
A frase de Lorde Acton ficou para a história. Não é exagero considerar que a generalidade das pessoas a compreende bem e que a acha perfeitamente actual. E mais, compreende que pôr em prática o que nela está implícito é essencial para que a democracia exista, e o poder dos cidadãos seja um facto. Muitos acharão ter havido exagero da parte do político e historiador inglês quando escreveu que os grandes homens são quase sempre homens maus, e preferirão considerar que os detentores do poder têm de tomar decisões e estão sujeitos a pressões a níveis muito mais complexos que os cidadãos normais nas suas vidas diárias. Contudo, também aqui há que sublinhar que é por isso que os detentores do poder político devem aceitar que as suas acções sejam escrutinadas e julgadas num grau muito diferente dos cidadãos no seu dia a dia. Se os actos políticos requerem presteza, eficácia e eficiência, também requerem transparência e rigor, de modo a que possam ser devidamente compreendidos e avaliados.