É HOJE E NÃO AMANHÃ por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Estamos a reflectir, a discutir, a concordar, a discordar de opiniões já feitas sobre o ensino em Portugal. É interessante ver como todos sabem como se deve organizar a escola, que matéria os alunos devem aprender, de quantas horas devem ser as aulas, quantos minutos devem ter os intervalos. Mas para que serve a Escola, poucos são aqueles que se revelam.

Do 25 de Abril até 2016 passaram 42 anos….é evidente que muitos teóricos e professores sabem o que querem da escola democrática, que deve servir uma sociedade democrática em que as pessoas vivam sem medo dos exames, do desemprego, da falência de bancos… do regresso da austeridade.

 Depois de analisar vários documentos verifica-se que todos, ou quase, se remetem para que a escola prepare os alunos para o futuro, porque vão ser eles os actores principais. Agora a “moda” é o empreendedorismo e a escola lá vai atrás da moda e cria formação para os alunos sobre gestão de dinheiro, de como formar uma empresa. Aprender a ler quanto baste, para saber os requisitos da lei para formar a empresa, saber matemática quanto baste para saber usar uma folha ECXEL.

A leitura e a interpretação de textos e de livros parecem o parente “pobre” de quem só se lembram quando aí vêm os exames. Os alunos recorrem aos resumos já feitos e impressos, à venda em qualquer livraria. Livro, para te quero? É verdade que as Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura tem tentado dar a volta “ao livro para que te quero”.

Estamos a falar sobre o tão valioso exame que em nada contribui para o desenvolvimento do conhecimento. Serve apenas para se aprender com medo dos exames, com medo de fracassar e não com a alegria de saber mais. As famílias, os professores e os alunos entram num pico de ansiedade, nada benéfico para a saúde.

Quem pode concordar que os contribuintes estejam a financiar escolas privadas com o dinheiro que deveria estar a servir a escola pública? Não há verbas para contratar mais pessoal para as escolas públicas porque esse dinheiro foi para financiar escolas privadas, que até estão perto de uma escola pública com salas fechadas por falta de alunos que têm direito à Educação num ensino público, laico, inclusivo e tendencionalmente gratuito. Quantos projectos poderiam existir, na escola pública, para prevenir a indisciplina? Quantas visitas de estudo se poderiam fazer se a escola pública tivesse verba?

Neste momento preocupa-me mais o presente, do que o futuro que será destes alunos. Sem bons alunos, em boas escolas públicas não há cidadania nem progresso. É hoje e não amanhã que temos que valorizar a Escola Pública que tão bons resultados tem dado a nível das aprendizagens

É hoje e não amanhã que temos que pôr um ponto final a esta discussão, sem consistência, que está a criar a oposição entre público e privado. A cada um o seu papel, a sua função e a liberdade de escolha, sem que isso implique retirar ao público o que é do público. A sociedade democrática dá-nos esse poder de decisão e é isso que temos que transmitir e fazer viver as nossas crianças. Não façam dos alunos cartões de protesto por algo, que apesar de lhes dizer respeito, não é a luta deles. A luta das crianças é a defesa dos seus direitos, neste caso à Educação que não está posta em causa por ninguém.

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