Não temos querer para nascer, nem quando, nem onde, nem em que circunstâncias, nem quem são os nossos pais.
Mas os pais podem escolher ter os filhos que quiserem, quando, onde, em que circunstâncias.
Algumas mulheres não podem ter filhos porque o seu organismo não o permite. A vontade de ser mãe, de ter uma criança é tanta que vivem infelizes com este vazio.
Não nos podemos alhear da pressão social a que estas mulheres estão sujeitas, tanto na família como no seu círculo de amigos, que vai aparecendo com os seus bebes…
É a publicidade com bebes felizes, ao colo de mães embevecidas, é a justificação da sua existência, a procriação, é o poder estar com as amigas e familiares em igualdade de função e de papel social.
É a infância passada a brincar com bonecas, com casinha das bonecas, a ser protectora, a pensar “quando eu tiver um bebe…”
No meio de este labirinto de sentimentos e de expectativas muita reflexão se tem feito sobre a função e o papel da mulher na sociedade.
Foi o direito ao trabalho igual, salário igual (ainda não concretizado), o direito ao voto, o direito a ter voz, o direito à Educação, o direito a poder interromper voluntariamente a sua gravidez, o direito a ficar em casa durante uns meses para cuidar, amar a tempo inteiro, com presença constante o seu lindo bebe.
Mas a Mulher sofre se não puder, por razões de saúde, ter o seu bebe.
Aparece então legislação adequada para colmatar este imprevisto da Natureza ( não é suposto que a mulher tenha filhos e filhas?)
Sabemos que há muitas pessoas altruístas que se sentem muito, muito bem ao saberem que podem ajudar, com o seu corpo outra mulher, e são tantas por esse mundo fora…
Soube-se que já várias avós “emprestaram” a sua barriga para gerar um filho para a sua própria filha.
É lícito que se levante o problema do comércio de “barrigas”, mas também é lícito que ambas as “mães” sofram as consequências por compra e venda de bebes.
O documento aprovado pela Assembleia da República, para ajudar mulheres a conseguir ter filhos, é motivo de orgulho dos portugueses. E de orgulho porque ninguém é discriminado, nesta legislação cabem todas as mulheres, com especificidades comprovadas a nível de saúde. Todos os tipos de família, todos os tipos de estados civis estão contemplados.
Mas isto é o que fica legislado para benefício dos adultos, e o Superior Interesse da Criança?
Já se pensou como vai ser feita a vinculação afectiva destas crianças? Quem vai dar de mamar? Quem vai estar de olhos nos olhos com o bebe, quem faz a festinha na cabecinha do bebe enquanto ele estiver a mamar?
Já se pensou como se sentirá a mulher que teve o bebe no seu ventre durante nove meses, a mulher que sentiu o bebe a dar os “pontapés”? Será que quererá vê-lo crescer?
Já se pensou na angústia da mãe quando o bebe nascer? É realmente meu? E agora a outra vai querer ficar com ele? Terei o direito de lhe dizer “tenho muita pena, mas agora vou levá-lo”?
E o bebe como vai crescer, como vai ser o seu desenvolvimento afectivo e cognitivo?
A sociedade deu um passo corajoso de Humanidade, com a finalidade de contribuir para o bem-estar de todos. Foi preciso coragem para romper com o que estava instituído, agora é preciso acarinhar esta legislação para que o bem estar não se volte contra quem o promoveu. É preciso informar toda a gente que o mais importante vai ser, não só o nascimento como também o crescimento de uma Criança.
Todos os bebes são bem-vindos, todas as mães devem ser apoiadas.

