Em Agosto próximo, o nosso blogue completa seis anos de existência, sendo que do primeiro ano não possuímos dados estatísticos; foi aliás essa falta de informação que nos levou a mudar de plataforma – portanto para efeitos estatísticos, nascemos em Agosto de 2012. Os dados exactos serão revelados dentro de pouco mais de um mês. Podemos adiantar que, ao longo destes cinco anos, publicámos cerca de 37 mil posts que obtiveram mais de dois milhões de visualizações feitas por um milhão de visitas.
Considerando que não existem posições comuns quanto a temas nucleares – filosofia política, religião, economia e finanças… É difícil o editorialista escrever de modo a reflectir toda a complexa paleta de opiniões dos cerca de 80 colaboradores do blogue – é uma gestão impossível, quer queiramos, quer não, o editorial apenas reflecte a posição de quem o escreve; uma medida que há tempos estudamos é a de descentralizar esta função diária. Há temas em que é possível ao coordenador manter uma certa neutralidade, há outros em que a sua posição pessoal se torna evidente.
Um exemplo – a situação no Brasil.
Lula e Dilma são culpados de corrupção? Talvez. São os que os acusam seres impolutos que vão erradicar a desonestidade, o nepotismo, o favorecimento ilegal de uns em desfavor de outros? Pelo que temos podido observar, não. É nítida a separação classista que existe entre os apoiantes e os que advogam a demissão de Dilma. Porém, as medidas sociais correctas que eventualmente tenha tomado, não constituem um salvo-conduto para atravessar com impunidade o território da corrupção.
A questão da homofobia deve ser abordada com cautela. Começa por ser uma definição conceptualmente errada – homo tem duas acepções principais: pode ser um prefixo e um elemento de composição de palavras científicas, indicando semelhança, igualdade, identidade, como por exemplo, no campo da botânica, se diz que um capítulo é homogâmico. O adjectivo significa que as flores que constituem o capítulo são hermafroditas e semelhantes. Na acepção corrente, homo é um substantivo masculino da área da Antropologia e significa o género da família Hominidae, representado pela espécie humana – à letra, homofobia significa aversão à espécie humana. Na acepção corrente um homofóbico é alguém que tem aversão a gays e lésbicas. O termo correcto seria: homofilofóbico, ou seja, aversão ao que gosta do igual. Portanto, hoje é o Dia Internacional contra a homofilofobia. Esclareça.se que o escriba a quem calhou hoje escrever o editorial é da opinião de que a orientação sexual de cada um é um direito inalienável.
Acrescente-se, voltando ao Brasil, que um adversário de Dilma disse algo com que concordamos -«de párias, os homossexuais passaram a semi-deuses». Não são nem uma coisa nem outra – são cidadãos que têm direito de ser respeitados. No entanto, a marcha do orgulho gay dá razão aos homofilofóbicos –é deprimente ver seres humanos comportar-se de forma tão estúpida. A homossexualidade deve ser respeitada. Agora, motivo de orgulho?

