EDITORIAL –  OS APARELHOS PARTIDÁRIOS, AS SONDAGENS E A DEMOCRACIA – COMO “ELES” ESTÃO LONGE DE NÓS, APESAR DO TRABALHO QUE NOS DÃO

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O sistema de democracia representativa que impera em grande parte do globo revela constantemente as suas fraquezas. Verifica-se que em grande número de países os governantes em exercício, apesar de terem sido regularmente eleitos, segundo os padrões geralmente aceites, ao fim de pouco tempo, estão em choque com as populações que melhor ou pior os elegeram. E surgem as grandes perguntas: Como foram eleitos pelo povo esses governantes? O que fazer quando ocorrem estas situações? Quais são as responsabilidades do sistema partidário na promoção de políticos que se revelam como incapazes de governar, ou em fazer com que cheguem ao poder quem manifestamente parece pouco identificado com a vontade popular?

Veja-se o que aconteceu no Brasil com Dilma Rousseff. Eleita com o voto favorável de um grande número de cidadãos, viu o seu mandato interrompido por alegações de corrupção (as famosas “pedaladas fiscais”), ou pelo menos de má governação, que foram seguidas/confirmadas por outros órgãos de governação. Terá sido o procedimento mais adequado? É sem dúvida correcto que existam mecanismos que sancionem eventuais desvios ou más actuações de governantes. Mas terá sido adequado o seu afastamento sem uma nova votação popular? Muitas incongruências foram apontadas ao que aconteceu, a começar pela consistência da acusação.

Entretanto nos Estados Unidos, para muitos o modelo do sistema político dominante, o espectáculo da escolha dos candidatos à próxima eleição presidencial, levanta outro tipo de problemas.  Um deles será comum o da influência das sondagens sobre as escolhas dos cidadãos. Estes são postos perante situações do tipo: nas votações para a escolha do candidato do partido democrata, Hillary Clinton tem vantagem sobre Bernie Sanders, mas num confronto com Donald Trump, o eventual escolhido pelo partido republicano,  o segundo estaria melhor colocado do que a primeira. Este problema obviamente que não se põe apenas nas eleições norte-americanas. Situações deste tipo, claro que com outras formulações, deparam-se aos eleitores de outros países, em todos os tipos de eleições. Não acabarão as sondagens por ser uma maneira de influenciar o eleitorado? E não só nos períodos eleitorais, mas também nas avaliações do trabalho dos governantes. Levantar esta questão é essencial, não para pôr em causa a qualidade de trabalho ou a honestidade dos técnicos de sondagens, mas para aproximar mais os sistemas políticos dos cidadãos.

Propomos a leitura seguinte:

https://www.publico.pt/mundo/noticia/as-sondagens-preferem-sanders-mas-a-luta-e-entre-os-desonestos-trump-e-clinton-1732548

 

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