EDITORIAL –  DA GLOBALIZAÇÃO À AUSTERIDADE

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A globalização foi apresentada durante algumas décadas como um fenómeno irreversível, e para muitos como desejável. Frequentemente era referida como a explicação para os problemas que afectam o quotidiano das populações, e tida como sendo inevitável. O termo passou mesmo a fazer parte do mainstream, sendo usado correntemente pelas pessoas no seu dia a dia. Milton Santos (1926 – 2001) observa que ele foi divulgado sobretudo a partir da imprensa financeira, desde a década de 1980. Ele define-a, na sua obra Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal, como sendo: “ .., de certa forma, o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista.” E diz também que: “Para entendê-la [a globalização], como, de resto, a qualquer fase da história, há dois elementos fundamentais a levar em conta: o estado das técnicas e o estado da política”. Depois chama a atenção para o erro que é separar estas duas coisas, erro esse constantemente cometido (ver link abaixo).

Hoje em dia, após a fortíssima crise financeira ocorrida sobretudo a partir de 2008, a ideia da globalização parece estar muito menos presente, pelo menos o uso do termo anda bastante mais reduzido. O regresso dos nacionalismos ao primeiro plano da vida dos povos é evidentemente contrário à continuação da globalização, mas será de ter em conta que as tendências políticas dominantes não sofreram alterações decisivas desde há trinta anos a esta parte. A irrupção das políticas de austeridade, que são uma versão adaptada da doutrina do choque definida por Naomi Klein, contribuíram em muito para esse regresso dos nacionalismos, assim como para o fanatismo religioso, a chamada guerra infinita e as vagas de refugiados.

Entretanto, o progresso das tecnologias da informação parece manter-se, concomitantemente com uma grande concentração das principais empresas do sector. Há quem defenda que a globalização não deve ser confundida com a austeridade. Terá razão de um ponto de vista ideal. Falha quando esquece quem historicamente promoveu a globalização, e sucessivamente a austeridade e outras fórmulas de assalto ao poder por vias indirectas.

 

https://pt.scribd.com/doc/32185053/Livro-Por-uma-outra-globalizacao-milton-Santos

 

 

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