Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Sobre as mentiras emitidas pelas Instituições Internacionais, assumidas como verdades pelos governos nacionais e difundidas pelos seus media – uma pequena série de artigos
I. As declarações de Christine Lagarde em 2010 numa entrevista ao jornal Le Monde
Estamos a falar do primeiro resgate da Grécia e reproduz-se aqui um excerto da entrevista concedida por Christine Lagarde, na altura ministra da Economia do governo Sarkozy, ao jornal Le Monde:
De quanto será a contribuição francesa?
De 20,7%, o que corresponde a sua participação no Banco Central Europeu. Assim que passarmos para um programa de três anos, colocar-nos-emos numa posição em que emprestaremos 16,8 mil milhões de euros em vez dos 6,3 mil milhões originalmente previstos.
Em termos práticos, isso significa que vamos assinar contratos de empréstimos bilaterais com a Grécia, coordenados pela Comissão Europeia. Estes atingirão 3,9 mil milhões de euros em 2010. No primeiro ano, não temos necessidade de mudar o nosso programa de emissões de obrigações.
Em 2011, 2012 e numa parte ainda de 2013, será, por outro lado, necessário aumentar o volume de fundos e atingir o volume de 12,9 mil milhões de euros suplementares. Nós emprestaremos aos gregos para uma duração de três anos, à taxa fixa de 5%. Se a duração do empréstimo for superior a três anos, a taxa subirá para 6%, para incentivar um reembolso rápido.
O Estado francês obtém actualmente empréstimos a 1,5%, vai fazer obter um ganho em capital com o empréstimo à Grécia?
A taxa de juros paga o risco. E nós não queremos emprestar em condições altamente atractivas, para não incentivar ao VÍCIO. A taxa de juro variável de 3,75% a que o FMI empresta é equivalente à taxa fixa de 5% a que concedemos crédito.
Deseja que os bancos participem no esforço de resgate da Grécia. De que forma? É necessário que eles mantenham os compromissos que eles têm neste país.
A Grécia poderá ela aguentar a cura da austeridade que lhe é imposta?
O governo grego está convencido de que se trata de medidas duras, de grande rigor, indispensáveis para restaurar as finanças públicas e a competitividade grega. Tem-se a sensação de que estas vão ajudar a desenvolver o crescimento sustentável e o emprego. A Comissão considera que se o fardo é suportado de forma equitativa no seio da população, isto será politicamente aceitável. Mas será necessariamente doloroso. A Grécia espera uma recessão mais severa ainda, de 4% em 2010, de 2% em 2011, mas sem deflação.
Uma entrevista onde nas suas entrelinhas estão escritos os cinco anos seguintes. Sem grande esforço verão no texto do FMI estes mesmos argumentos, como o da deflação, o da competitividade, o do apoio político da população à austeridade, e aqui a culpa é então dos governos gregos que não fizeram o trabalho de casa. Há ainda aqui a certeza de que a austeridade é o meio para aumentar o emprego, o mesmo é dizer que os multiplicadores podem ser negativos, o que significa que contraindo a despesa pública se aumenta o volume do PIB e isto mesmo com mercados disfuncionais e num clima de forte recessão. Santa ingenuidade a da senhora Christine Lagarde, paga a mais de 1000 dólares por dia para mostrar que é uma ignorante. Inacreditável, no mínimo. Mas tão grave como o que se diz é o ódio ao povo grego. O FMI tem então uma taxa de rentabilidade superior a 300 por cento uma vez que 5%/1,5% é maior que 3. Em qualquer sítio ser-se-ia preso por agiota. Mas olhemos mais de perto o texto. Os empréstimos a mais de 3 anos são concedidos à taxa exorbitante na época de 6% para incentivar o pagamento mais rápido. Estamos a falar da Grécia, um pais económica e financeiramente de rastos e teremos pois a punição se não forem rápidos a pagar! De referir ainda que os programas de austeridade violenta não foram impostos aos gregos, foram por eles desejados! Com efeito Lagarde sublinha e repetimos:
“O governo grego está convencido de que se trata de medidas duras, de grande rigor, indispensáveis para restaurar as finanças públicas e a competitividade grega. Tem-se a sensação de que estas vão ajudar a desenvolver o crescimento sustentável e o emprego. A Comissão considera que se o fardo é suportado de forma equitativa no seio da população, isto será politicamente aceitável. Mas será necessariamente doloroso. A Grécia espera uma recessão mais severa ainda, de 4% em 2010, de 2% em 2011, mas sem deflação.”
O programa assentou em pressupostos que o governo grego queria, a falha foi então do governo grego que não conseguiu o apoio popular para a aplicação das medidas de austeridade que o iriam levar a um empobrecimento total! Seremos todos parvos?



Lagarde ….feijão frade ….ððð â
No dia 18 de junho de 2016 Ã s 10:25, A Viagem dos Argonautas escreveu:
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