Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Sobre as mentiras emitidas pelas Instituições Internacionais, assumidas como verdades pelos governos nacionais e difundidas pelos seus media – uma pequena série de artigos
VII – O FMI ou a fábrica de branqueamento das responsabilidades sobre a tragédia da Grécia
VII-A
a) O relatório de 2015 do FMI sobre a sustentabilidade da dívida pública grega
Não é por acaso que na análise feita em 2015 pelo FMI no seu relatório DAS se pode ler, o que é já uma clara operação de branqueamento sobre as suas responsabilidades no desastre grego:
2. Se o programa tivesse sido implementado como assumido, não seria necessário mais nenhuma redução na dívida do que a que foi acordada em Novembro de 2012. A diminuição das taxas de juros contribuíram para melhorar a dinâmica da dívida. Outros factores tais como a inclusão do Fundo Helénico de Estabilidade Financeira como parte do FEEF e a ser tomado como uma parte da extensão do programa no final – Fevereiro de 2015 também melhorou a dinâmica de dívida, enquanto as revisões históricas dos dados marginalmente a mostrarem um agravamento da dinâmica da dívida.
a) Mais baixas taxas de juro. Em relação à última revisão, para o período 2015-22, a Euribor a 3 meses projectada diminuiu em média 122 pontos de base e a taxa de juros projectada do FEEF diminuiu em média 161 pontos de base. A taxa de juro implícita de médio prazo (numa base no regime de especialização dos exercícios) caiu de 3,3% para 2,3%. Como resultado, as taxas de juros projectadas da Grécia durante 2014-2022 caíram de quase 30 por cento em regime de especialização de exercício. Menores taxas de juros contribuíram para uma redução na dívida projectada da Grécia de € 23,5 mil milhões (9,1% do PIB) até à última revisão final – 2022, e3 relativamente às projecções na última revisão
b. Outros factores. A dívida pendente foi reduzida quando a protecção de recapitalização da banca do Fundo Helénico € 10,9 bilhões foi incluída no FEEF na altura da extensão do programa da EU quanto ao resgate da Grécia– Fevereiro de 2015. Também significou a poupança de juros (de acordo com o regime de especialização de exercício) em cerca de € 1,1 mil milhões sobre cerca de 7 anos. Assim, o volume da dívida projectado em 2022 aparece melhorado nessa porção, ou seja, de 4,9 por cento do PIB. Por outro lado, um mais fraco desempenho do PIB e as revisões estatísticas à baixa relativamente ao PIB histórico contribuíram para um aumento de 4 pontos percentuais na relação dívida / PIB de 2022. Além disso satisfazer as necessidades de liquidez nos últimos meses, depois da perda de acesso ao mercado que começava a ser conseguida em meados de 2014, tem levado a obter empréstimos de curto prazo de entidades intragovernamentais (operações repo de duas semanas até 3% de juros a pagar). O estado tem sido capaz de obter cerca € 11 mil milhões das colectividades locais, administrações da Segurança Social e outras entidades, desde a última revisão. Essas operações têm substituído o endividamento externo e, assim, reduziram a dívida conforme definido nos critérios de Maastricht. A renovação de dívida sobre cerca de 2/3 destes empréstimos de curto prazo (tornando-o parte de operações da conta única do Tesouro – Treasury Single Account e com reembolso do restante) levaria a uma queda na relação dívida / PIB de 2022 de aproximadamente 5 pontos percentuais do PIB.
c) Implicações. Tendo em conta todos estes factores de fundo, se as principais metas do programa tivessem permanecido realizáveis, o perfil da dívida de médio prazo da Grécia teria melhorado em cerca de 13% do PIB. O rácio de dívida-PIB da Grécia — projectada para ser de 127,7% em 2020 e 117,2% em 2022 durante a última revisão — teria diminuído para 116,5% em 2020 e 104,4% em 2022, Nenhum alívio mais seria, portanto, necessário no âmbito de Novembro de 2012.
No entanto, muito significativas mudanças nas políticas e nas perspectivas desde o início deste ano resultaram num aumento substancial nas necessidades de financiamento. No total, sob o pacote proposto pelas Instituições às autoridades gregas, essas necessidades estão projectadas para atingir aproximadamente € 50 mil milhões de Outubro de 2015 até ao final de 2018, exigindo dinheiro europeu adicional de pelo menos € 36 mil milhões sobre o (período de três anos
Se o programa fosse implementado como especificado na última revisão, o serviço da dívida teria ficado dentro do limite recomendado dos 15 por cento do PIB em média durante o período de 2016 – 45. Isso exigiria excedentes primários de + 4% do PIB por ano e uma decisiva e completa implementação das reformas estruturais que proporcionem um crescimento sustentado de 2% ao ano (com o melhor crescimento da produtividade na área do euro) e das privatizações.
Em suma, a culpa foi do povo grego que votou Syriza, que votou Tsipras. Veja-se a elegância do texto: podia não ser necessário um outro resgate! Dispensem-me de mais comentário. Basta o texto ser lido com atenção e ler também as entrelinhas. Está lá tudo, menos a crítica do sistema que gera tudo porque quanto a este modelo se os resultados não são os por eles sonhados a culpa é dos outros.


