
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Em Espanha, El Pacto- a repetição de Syriza
Billy Mitchell, Spanish El Pacto – Spanish El Pacto – A Syriza Reprise!
Billy blog, publicado em Monday, May 16, 2016 by bill
(conclusão)
…
O meu sentimento geral é que Podemos está em perigo de fractura tanto quanto os seus membros estão cada vez mais desiludidos. Isso é o que eu continuei a ouvir na semana passada através de um largo leque de fontes (e eu estou aqui a excluir os membros da Esquerda Unida).
O outro ponto a sublinhar é de que agora, depois de ter rejeitado a relevância do continuum esquerda-direita na política, Podemos assinou um pacto com o Esquerda Unida. A atracção do poder poderá sempre, ao que parece, distorcer a narrativa dos aspirantes a políticos
O artigo de Marxist Review sobre Podemos diz:
Mas a retórica triunfante de 2014 já está a soar de forma estridente. Apesar de uma forte presença nas eleições nacionais em Dezembro de 2015, um número crescente de activistas têm sido críticos da moderação política do partido, bem como do clima antidemocrático que no seu interior se vive. Estes debates estão-se a intensificar enquanto Podemos ganha uma maior presença nas instituições do Estado burguês e, potencialmente, pode mesmo até apoiar um governo liderado pelo Partido Socialista neoliberal.
O Pacto
As próximas eleições nacionais são em 26 de Junho de 2016, depois das últimas eleições (20 de Dezembro de 2015) não terem conseguido consolidar um governo, e estar-se-á a caminhar para se obter um resultado muito interessante.
Na segunda-feira, Podemos e a coligação Esquerda Unida (IU) assinaram uma aliança formal para concorrem às eleições numa coligação.
Prevê-se que essa coligação tenha fortes possibilidades de ganhar eleitoralmente poder ou, pelo menos, de forçar o PSOE a não ter o segundo lugar.
A especulação é que se esta nova coligação ganhar o segundo lugar, é provável que a direita PP forme uma aliança com os socialistas do PSOE para se oporem à coligação Podemos-IU. Isto, realmente, diz tudo sobre os políticos espanhóis e sobre o desaparecimento dos principais partidos de esquerda por todo o mundo.
Estes partidos tornaram-se tão neoliberais nas suas políticas económicas que agora só se mantêm no poder numa aliança com as forças conservadoras de direita. A especulação é que isto poderá significar o fim do PSOE, o que só seria uma coisa boa para a política espanhola, dada a incapacidade deste partido para resistir às piores incursões de austeridade do estilo Troika durante a crise, e da corrupção de muitas das autoridades regionais que vem bem de trás, bem antes da crise.
O acordo que a coligação assinou – Cambiar España: 50 pasos para gobernar juntos – tem alguns aspectos preocupantes, apesar de reflectirem no que o Podemos se tornou.
O facto de que o presidente Mariano Rajoy descreveu El Pacto “, como:
una coalición de “extremistas y radicales”, que “no es lo que le conviene al progreso de España y del país”.
Ver – Rajoy: «Una coalición de “extremistas y radicales” no conviene al país»
é significativo de quanto a retórica política se desviou para a direita.
A formulação e a intenção de ‘El Pacto’ é tudo menos extrema e radical. Basicamente, expressa uma vontade de cair no consenso da austeridade europeia.
O jornal conservador espanhol, de direita,La Razon escreveu no seu artigo de 12 de Maio de 2015 Podemos impone su programa a IU, que «olvida» su apuesta por la república – em que:
… quedó meridianamente claro quién lleva la voz cantante en la coalición y hasta qué punto Alberto Garzón ha «vendido el alma» de su partido para ….
A expressão “vendeu a alma” como aqui se relata tem a ver com a expectativa de que, dentro de uma coligação unida (dado o sistema eleitoral), IU obteria 9 em vez de 2 lugares na Câmara dos Deputados (Congresso dos Deputados).
Isto documenta outros ditos compromissos que a Esquerda Unida IU teve que “engolir” para fazer parte da Coligação (continuar a ser membro da NATO, etc.)
(“Claves son también los puntos de su programa que Garzón se ha tenido que «tragar» para confluir”).
Claro, os media de direita querem semear as sementes de descrédito entre os partidos da esquerda para ajudar o seu tradicional partido de escolha, o PP.
Mas é verdade o que diz na afirmação de que “El Pacto” representa uma forte influência de Podemos em relação à IU, o que não augura nada de bom.
Como pano de fundo, o acordo da coligação só é relevante para as próximas eleições . As duas partes conservam o direito a terem as suas próprias plataformas políticas, embora oficialmente ambos falem da plataforma de coligação. Quando eu me apercebi de que isto soava como um “cobertor de segurança” senti que se estava a dizer que ‘nós acreditamos numa coisa mas falamos e representamos uma outra coisa’.
Para começar, a cláusula 11 de “EL Pacto” sob o título largo de Social Democracia diz que a aliança levará a cabo um esquema de Rendimento garantido.
A proposta de Garantia de Emprego da IU (que estava bem presente nas eleições de Dezembro de 2015) desapareceu, foi-se. A Esquerda Unida ainda defende a garantia de Emprego conforme o que se escreveu na introdução à edição espanhola do meu livro pelos irmãos Garzón, mas nos termos desta eleição, as GRANDES regras da proposta de Podemos são supremas.
Isso é um retrocesso.
Os regimes de rendimento básico são claramente inferiores aos sistemas de garantia de emprego e não tenham internamente nenhuma capacidade de estabilização da inflação .
Veja-se no meu blog – Employment guarantees are better than income guarantees – uma discussão mais alargada sobre este ponto .
Sobre a cláusula 2 algumas críticas:
El próximo gobierno deberá presentar y acordar con las autoridades europeas una nueva senda de reducción del dé cit público que resulte coherente con las prioridades de nuestra economía: apuntalar la recuperación económica, incrementar el ritmo de creación de empleo, impulsar inversiones públicas que modi quen el patrón de especialización industrial y fortalecer los servicios sociales y el Estado del Bienestar para luchar contra las desigualdades.
Esto exige un ritmo de reducción del dé cit signi cativamente más paulatino que el planteado por la Comisión Europea, y que en todo caso se produzca como consecuencia de una mejora en la nanciación del Estado y no gracias a nuevos recortes del gasto público. El ritmo de reducción del dé cit debe trasladar al nal de la legislatura el cumplimiento de los umbrales de dé cit que establece el Pacto de Estabilidad y Crecimiento de la UE, dado que un ritmo superior podría fácilmente traducirse en una nueva as xia económica y en la imposibilidad de fortalecer la cohesión social en nuestro país.
Debe acordarse igualmente la modificación sustancial de aquellos aspectos de la Ley de Estabilidad Presupuestaria que más di cultan la aplicación de políticas scales adecuadas a la posición cíclica de la economía y a las necesidades de reforzamiento del Estado de Bienestar, y debe revertirse la reforma del artículo 135 de la Constitución.
Además, un gobierno de cambio impulsará una profunda reforma de dicho Pacto de Estabilidad y Crecimiento, y de las reglas scales en la Eurozona, exibilizando el objetivo de equilibrio presupuestario en los términos que plantea este acuerdo en el apartado “democracia internacional”, para adaptarlo a las necesidades de las distintas economías nacionales.
