O dia 21 de Junho foi o dia maior do ano, o dia em que a noite encolheu para que os fantasmas que transportamos nas nossas cabeças tenham a menor influência possível na busca do nosso bem estar.
No dia 21 de Junho estavam dois fémures a disputar quem venceria, qual deles daria o primeiro passo com segurança.
O dia era grande, cheio de luz, e a esperança de que o fémur mais preguiçoso se enchesse de auto estima e acelerasse o processo de cura era ainda maior do que o dia.
O fantasma que inevitavelmente tentava dizer “será desta?” teve muito pouco tempo para espraiar a sua influência.
Assim como para muitas culturas o início do Verão, o solstício, representa um tempo de fertilidade e de renovação, e é celebrado de formas diversas por todo o mundo, assim os ossos que nos sustêm comportam-se como se fossem os donos do corpo, como se fossem todos iguais. Mas não, sabemos que a matéria de que são feitos é igual em todos os seres humanos, mas a maneira como arrumam as suas células depende de corpo para corpo…
As luas cheia são todas iguais, mas se no dia em que entra o Verão houver Lua Cheia, a chamada Lua de Morango como lhe chamaram algumas tribos da América do norte, nesse dia é diferente tal como a vida no interior do nosso corpo que parece ser igual todos os dias, mas que nos dias em que os fantasmas têm mais tempo para vaguear se desarrumam células, fibras, sais minerais, emoções, capacidade de regeneração.
A Lua Cheia do solstício de Verão diz-nos que a fruta está pronta para ser apanhada.
A dor que enche o corpo diz-nos que é preciso colher o fantasma e abraçar o raio de Sol que nos acompanha durante a nossa Vida.
Solstício significa “ponto onde a trajectória do sol aparenta não se deslocar”.
Dor significa a trajectória da Vida onde o bem estar parece ter fugido.
Onde estás Sol que me magoaste e desafiaste a trajectória da minha Vida, estejas em que estação estiveres não te rias porque o meu raio de Sol anda por aí a espreitar…

