EDITORIAL – A ESCOLHA DO DIABO

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Donald Trump conseguiu a nomeação pelo partido republicano para ser candidato, em Novembro próximo, às eleições presidenciais dos Estados Unidos. Vai defrontar-se com Hillary Clinton, candidata pelo partido democrático. Vão-se denegrir um ao outro, sem grandes problemas, pois matérias susceptíveis de crítica não faltam, dos dois lados. Temos garantida uma continuação de campanha bastante acesa, dando um espectáculo às multidões capaz de preencher todos os tempos livres e ocupados. Deste modo o cidadão comum não sentirá (tão) tentado a reflectir sobre pontos como o que seguem:

Em termos de política externa, nem Trump nem Clinton vão introduzir alterações significativas ao que tem sido o intervencionismo sistemático praticamente em todas as partes do mundo. Trump aqui, à primeira vista, até se mostra mais conciliador, tendo mesmo, na sua propaganda, falado em dialogar com Putin e o líder da Coreia da Norte, Kim-Jong-Un. Contudo basta ouvi-lo falar dos imigrantes, ou dos problemas ambientais, para perceber que estará sempre do lado das grandes companhias e dos grandes interesses económicos, que são quem dita a política norte-americana. Do lado de Hillary Clinton, temos a promessa de continuar a política de sempre, tendo ela afirmado querer seguir os ensinamentos de Henry Kissinger, de quem se declarou seguidora. É apoiada pela Wall Street, que parece achar Trump imprevisível, e dar menos garantias em situações mais complexas.

Internamente, não será Trump, multimilionário e defensor desde sempre dos interesses dos mais ricos que irá introduzir alterações que favoreçam as classes trabalhadoras e mais desfavorecidas. Pelo contrário os seus ataques aos imigrantes, as suas posições sobre o papel das mulheres na sociedade fazem temer um retrocesso no campo social. Os seus conflitos com a comunicação social, que lhe podem ter trazido alguma popularidade em certas situações, fazem temer dificuldades cada vez maiores no campo da informação. Quanto a Hillary Clinton, as amarras que tem ao sistema financeira impedirão que, mesmo que ela o deseje, o que é duvidoso, venha a introduzir modificações significativas nas políticas de apoio aos mais desfavorecidos da sociedade norte-americano.

Em resumo, desta eleição, não de prevê que venham a sair alterações significativas nas políticas dos Estados Unidos. Pelo contrário, é de prever que aumentem a pressão nas várias partes do mundo, como na Europa, sobre a qual procurarão intensificar o seu protectorado, na América do Sul, onde intensificarão aos apoios ao conservadorismo e à repressão das conquistas sociais, na Ásia, onde tentarão intensificar o cerco à China. Clinton promete intensificar a pressão sobre a Rússia, e não é previsível que Trump proceda de outra maneira. Quanto ao Próximo e Médio Oriente continuará a destabilização de todos os que se oponham às linhas que têm sido seguidas, com destaque para as políticas do petróleo e o apoio aos países aliados. Internamente, tenderá a agravar-se o fosso entre os ricos e os pobres, e as tensões sociais e raciais continuarão. As questões ambientais vão sem dúvida estar na ordem do dia. Será de acompanhar cada vez mais de perto a actuação do futuro governo, até porque tudo indica que tanto o isolacionismo de Trump, como o mundialismo de Hillary Clinton vão levar a problemas cada vez maiores.

1 Comment

  1. *Paroles …paroles …paroles ….o diabo que escolha …Maria * ​ ​

    No dia 20 de julho de 2016 às 20:28, A Viagem dos Argonautas escreveu:

    > joaompmachado posted: ” Donald Trump conseguiu a nomeação pelo partido > republicano para ser candidato, em Novembro próximo, às eleições > presidenciais dos Estados Unidos. Vai defrontar-se com Hillary Clinton, > candidata pelo partido democrático. Vão-se denegrir um ao outro, sem ” >

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