Falámos ontem* aqui do fórum Edita Barcelona, coorganizado pelo Grémio de Editores da Catalunha e pela Universidade Pompeu Fabra. Charkin, o presidente da IPA (Associação Internacional de Editores) teve uma imagem com graça comparando a situação da indústria livreira com a do futebol em Inglaterra (uma alfinetada em Mourinho?) – no futebol, a bola perdeu o protagonismo, enquanto no universo do livro o ego dos editores tornou os autores, antigo centro desse mundo, em peças descartáveis – o editor é a personagem central, pois com a sua estratégia de marketing e com uma boa logística de distribuição, qualquer livro se vende bem.
Nostalgicamente, o presidente da IPA recorda os tempos em que a cumplicidade entre o editor e o autor, permitiam que um bom livro fosse um êxito de vendas (embora com números risíveis perante os actuais). A Google e a Apple estão aos poucos a apoderar-se do mercado internacional. No Egipto, onde os rádios portáteis dominavam a informação, a Vodafone tem o monopólio da distribuição. O pequeno, médio ou mesmo grande editor (usando os critérios de avaliação de há 30 ou 40 anos) só podem sobreviver criando nichos de marcado (Direito, Medicina, Culinária …). Se tiver êxito, um dos gigantes far-lhe-á uma proposta irrecusável…
Neste século XXI em que estamos mergulhados, o editor tem três inimigos, três grandes problemas “existenciais”: “a ingerência dos governos na liberdade de expressão, un analfabetismo funcional maior do que se pensa e a defesa do copyright, que está sob ameaça porque às grandes corporações interessa que o conteúdo não tenha custos nem constitua qualquer obstáculo seja para o que for”.
Quando aqui defendemos o respeito pelo copyright não o fazemos na perspectiva egoísta de quem não permite que um belo poema ou um bom conto sejam livremente distribuídos por todos. Os «democratas» que entendem que um artigo ou um desenho não têm dono e que divulgá-los beneficia os autores, estão a ajudar à barafunda que levará os gigantes da comunicação a apoderarem-se dos conteúdos sem os pagar ou pagando apenas os que servirem os seus interesses. O que será feito então da liberdade de expressão e da criatividade?
- A primeira parte deste editorial foi publicada a 9 de Julho. Clique em:
