Contas feitas e que espanto! A maior parte dos professores do ensino público tem idades compreendidas entre os 40 e mais de 50 anos.
E, mais uma vez, uma tendência subtil de comparar, agora, as idades dos professores. Os professores mais jovens estão no ensino privado.
Quem disse que a qualidade dos professores se mede pela idade?
Não seria de esperar outro resultado que não este, os professores não têm vaga nas escolas públicas e naturalmente vão para as escolas privadas.
A política da educação tem andado sem rumo. Porquê aumentar o número de alunos por turma? A partir daqui são números e não professores nem alunos, são apenas uma divisão numérica: tantos alunos, tantos professores. Não há professores a mais, mas alunos a menos.
Muitos destes alunos a menos, mas a mais dentro das salas de aula, apresentam especificidades no seu processo de aprendizagem que requerem cada vez mais a existência de um maior número de professores nas escolas públicas.
Os professores têm sido escravizados pela burocracia, muita dela era da competência dos serviços de secretaria como o preenchimento das pautas. Parece pouca coisa, mas não é.
Tem-se contribuído para a imagem de uma escola pública que não é capaz de ensinar os seus alunos, tem-se contribuído para a desvalorização dos professores, e agora? Como repor a verdadeira imagem da escola e dos professores sem escamotear as dificuldades que por lá se sentem.
Muitos alunos não obedecem aos professores nem aos auxiliares. Se os pais são chamados “ o meu filho não mente foi o professor que não soube falar com ele” e o menino está lá para ouvir que o professor é incompetente.
O aluno tem razão e se o professor tornar a chamá-lo a atenção o pai vai fazer queixa ao director exigindo uma punição.
Se conversarmos com estes pais percebemos que eles não têm a mínima noção de como funciona a escola, das dificuldades de aprendizagem, de como os filhos se portam na escola, quais os amigos do filho. Muitas vezes não obedecem porque sabem que ninguém lhes bate, como fazem os pais.
Numa investigação, realizada por mim, sobre regras de comportamento, foi evidente que as regras em casa e na escola são diferentes porque em casa batem e na escola não.
Não é a idade dos professores que faz uma escola boa, são as práticas pedagógicas, é o clima de escola, é tanta outra coisa que não a idade. É uma realidade que os professores com mais idade estão no ensino público. E depois, é preocupante? Preocupante é o número de alunos por turma, preocupante são as escolas que formam os professores, preocupante é o número de professores que estão a sofrer de stress profissional, preocupante é o número de horas que os alunos permanecem na escola quase sempre na sala de aula.
Professores jovens e menos jovens têm muito a dar aos alunos. Ser professor é uma responsabilidade acrescida, libertem os professores dos trabalhos burocráticos, dêem tempo aos professores para conhecerem os seus alunos, dêem tempo aos alunos para serem pessoas.

