EDITORIAL  – O TRABALHO E A CIVILIZAÇÃO

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Hoje, 1 de Agosto de 2016, A Viagem dos Argonautas completa cinco anos de existência. Conta assim o nosso blogue já com um período significativo de existência, ao longo do qual nós, argonautas, temos tentado acompanhar a vida do nosso país e do mundo, de um modo o mais que possível diversificado, dentro das nossas possibilidades. Esperamos conseguir manter o nosso rumo nos próximos tempos, com o apoio dos nossos leitores, sempre com o espírito de respeito pelas várias opiniões, e maneiras de ser e agir, recusando as tentativas de imposição de pensamento único.

Nestes anos de vida de A Viagem dos Argonautas lamentamos ter assistido a algo que já começou em anos anteriores, desde a década de 1970, se manteve nestes cinco anos da nossa actividade, e parece infelizmente querer continuar nos próximos tempos. Trata-se da desvalorização do trabalho como factor de produção, e necessariamente daqueles que dele dependem para sobreviver, e que são a maioria da humanidade.  Não vimos aqui fazer uma apologia moralista, semelhante às que têm sido usadas para coagir as pessoas a disponibilizarem a sua força de trabalho pelo menor preço que possível. Constatamos puramente e simplesmente que, sendo através do trabalho que a maioria das pessoas participa no processo produtivo, essa participação seja cada vez mais desvalorizada, em termos de remuneração e de reconhecimento político e social.

Não é descabido de modo nenhum relacionar esta desvalorização do trabalho com as crises que se têm atravessado nos últimos tempos. Sem dúvida que os progressos da democracia nos tempos mais recentes estão intimamente relacionados com o reconhecimento da importância das classes trabalhadoras. Causas como o reconhecimento dos direitos da mulher, os esforços no sentido do derrube das barreiras raciais e religiosas estão intimamente ligadas ao reconhecimento dos direitos dos trabalhadores. Os enormes progressos sentidos a seguir à Segunda Guerra Mundial tiveram a ver sem dúvida com esse reconhecimento. O retrocesso dos últimos anos, a ascensão do neoliberalismo, com a concomitante tendência para concentrar o poder em minorias, e a tendência crescente para transformar a democracia num jogo circense são o corolário da subalternização do trabalho e dos trabalhadores.

1 Comment

  1. 1. O que se está a passar tem muito a ver com o facto de que o discurso marxista está ultrapassado e não tem condições actuais de análise política, por ser um discurso economicista que opõe trabalhadores a gestores de fortunas implicadas na produção (capitalistas).
    2. A série trabalho-economia-luta de classes oculta a luta geo-política à escala mundial que articula a série controlo de recursos minerais escassos-tecnologia armamentista-imperialismo-guerra eternizada.
    3. O neo-liberalismo é a face economicista do projecto da Nova Ordem Mundial anglo-americano-sionista, baseada na expansão de uma rede de Protectorados (Japão, Commonwealth, Europa, Canadá) e de Aliados ambivalentes e pouco confiáveis (Arábia Saudita, Turquia, países turcomanos, Paquistão, Irão, Egipto, Colômbia, México, China, Índia, etc.).
    4. A desvalorização do trabalho é uma consequência do Projecto Imperial não precisar de mão de obra comum, que a mundialisação torna super-abundante e barata (precisa apenas de cientistas). Contra isto, o marxismo afundou-se e não existe hoje qualquer organização de povos ou de pessoas capaz de ultrapassar a alienação.
    5. Quando a Frente Imperial provoca a Rússia (como antes provocava o Irão) está apenas a ‘inventar inimigos’, que tanta falta lhe fazem para continuar a conquistar a Ásia e, particularmente, o Mundo Árabe (Maghreb e Próximo Oriente).
    6. Falta criar a nova consciência e organização de pessoas e povos capaz de relançar a critica drástica à CORRUPÇÃO e à GRANDE CRIMINALIDADE específica da Guerra Imperial e exigir um Mundo sustentável para todos, num quadro de Paz, Cooperação generalizada, autonomia cultural e resolução política de diferendos.
    7. O ECONOMICISMO é o discurso que convém à ocultação da Guerra Imperial Eternizada, porque a oculta e porque culpabiliza os trabalhadores que “ganham demais” e têm um “excesso de regalias”.
    8. A denúncia de uma ECONOMIA CONCENTRACIONÁRIA, posta ao serviço da GUERRA IMPERIALISTA ETERNIZADA e não ao serviço da fuga à pobreza e à precariedade, é a arma das populações prejudicadas pelo Projecto Imperialista, e o recurso a Referendos Democráticos nacionais (como do Brexit e os que se seguirão) e à escala continental e internacional o seu instrumento pragmático.

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