QUANDO MATARAM JFK MATARAM A AMÉRICA, por PAUL CRAIG ROBERTS

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Selecção, tradução e nota de introdução por Júlio Marques Mota

John Kennedy
John Kennedy

       (1917 – 1963)

 

Uma pequena nota sobre o texto de Paul Craig Roberts e dedicado à adolescente de outrora,  Beatriz  Feio

A história e o mundo pregam-nos com que partidas! Ao traduzir o texto de Paul Craig Roberts deparo-me com a seguinte afirmação, a propósito da grandeza de John F. Kennedy como líder político:

“Para aqueles de vós que são demasiado jovens para terem vivido a presidência de John Kennedy e para aqueles que já se esqueceram da sua grandeza, façam a vocês mesmos um grande favor e ouçam este seu discurso de 5 minutos e 23 segundos. Tentem imaginar quem de entre os bobos da corte actuais seria capaz de fazer um discurso como este. Vejam como tanto é bem dito em menos de 5 minutos e meio”.

Nada de especial no presente texto, é certo. No entanto ao traduzi-lo veio-me à memória uma conversa tida com uma miúda da idade de minha filha, Beatriz Feio, sobre o peso dos artistas na ilustração dos seus espaços pessoais, os seus quartos, na altura com 12-15 anos. Era assim com ela, era assim com a minha filha, era assim com todos os adolescentes dos anos 90. E à volta desse tema dispara-me ela a pergunta: diga-me então um político de craveira internacional que acha que demos colocar nas paredes dos nossos quartos. Tinha já passado o tempo dos Olaf Palm, o político que se queria confundir na rua ou no cinema com o vulgar cidadão, dos Bruno Kreisky, o homem de que se diz ter dito que se recusava sentar à mesma mesa que Mário Soares, tinha também já passado o tempo dos Willy Brandt. Que nos restava de figuras para responder àquela adolescente? Ninguém. Oskar Lafontaine andava perdido na lógica europeia e Helmut Schmidt não tinha na época o carisma para ser uma referência da juventude, Mandela estava na prisão. Este trio que de vários pontos de vista viria depois a ser referência bem mais tarde mas não já para os jovens, era para estes adolescentes um trio de ilustres desconhecidos e nunca poderia nenhum deles ser então indicado como referência intelectual para a juventude. Tinha necessariamente muito mais peso um Bob Gedhof que os políticos de então. A consequência do neoliberalismo diria eu hoje, é exactamente a inexistência de políticos no sentido nobre da Política, capazes de perspectivar ao longe o que mais pode e deve interessar aos seus povos, tudo isto assente também num conhecimento das suas próprias raízes como país e como parte da civilização. Uma inexistência de gente de nível que se explica por muitas razões entre as quais o curto-termismo de que se vive na sociedade neoliberal, assente também na ignorância sobre as perspectivas de médio e longo prazo porque não é necessário tê-las e não é necessário tê-las porque os mercados são soberanos e estes têm perspectivas a três-meses em roll-over ou não. E se não é necessário tê-las, não é necessário também o saber, que é sempre bem caro para a colectividade, para as poder ter e daí a paisagem desértica que são hoje as nossas Universidades.

Pois bem, vinte anos depois temos aqui a mesma pergunta, com Paul Craig Roberts a coloca-la para todos nós  e a sua pergunta Tentem imaginar quem de entre os bobos da corte actuais seria capaz de fazer um discurso como este, é  praticamente a mesma que a filha do meu amigo Joaquim Feio me colocou: quem acha que devemos ter como poster , como referência nas paredes do nosso quarto? Hoje, não há nenhuma hesitação na resposta: ninguém.

E é pena e por isso estamos todos, os verdadeiros culpados desta realidade, a sermos agora as vítimas. E lamento pelos nossos filhos e netos.

Coimbra, 24 de Maio de 2016.

Júlio Marques Mota

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Quando mataram JFK mataram a América

Paul Craig Roberts
Paul Craig Roberts

Paul Craig Roberts, When they killed JFK, they killed America

paulcraigroberts.org, 7 de Maio de 2016

 

Na administração de JFK eu era um bolseiro a trabalhar na Casa Branca no programa “White House Fellows”.  Naquela época este programa era muito mais lato do que o pequeno programa interno e restrito em que mais tarde se tornou. A intenção do presidente Kennedy era envolver muitos jovens americanos na governação, a fim de manter vivo o idealismo como contrapeso aos interesses materiais dos grupos de pressão. Não sei se o programa ainda existe. Se existe, o idealismo que era o seu propósito já desapareceu há muito.

O presidente John F. Kennedy foi um presidente de grande classe. Em toda a minha vida  não houve nenhum  outro como ele. Hoje, seguramente, seria impossível ser assim.

Os conservadores e os republicanos não gostavam dele porque ele sabia pensar seriamente. A arma favorita contra JFK foi a história da  sua vida amorosa que, segundo eles, envolvia prostitutas da Mafia e Marilyn Monroe. Eles devem ter-se roído de inveja relativamente a Marilyn Monroe, a mulher mais desejada do seu tempo.

Ao contrário da maioria dos presidentes, Kennedy foi capaz de cortar com o pensamento convencional do seu tempo.

Da sua experiência nos casos da  “Baia  dos Porcos”, da “Crise dos Misseis em Cuba” e da “Operação Northwoods ” do Estado-Maior militar, Kennedy concluiu que o Director da CIA, Allen Dulles, e o general Lemnitzer, Presidente do Estado-Maior, estavam  ambos loucamente obcecados pelo anticomunismo e constituíam um perigo para os americanos e para o mundo.

Kennedy demitiu Dulles do cargo de Director da CIA e substituiu Lemnitzer do cargo de Presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, desencadeando aquilo que iria levar ao seu próprio assassinato. A CIA, o Estado-Maior militar e os Serviços Secretos concluíram que JFK era “brando com o comunismo.” Também assim concluíram os conservadores liderados por Bill Buckley.

JFK foi assassinado devido à histeria anticomunista nos serviços de segurança e nos corpos militares.

A Comissão Warren estava bem ciente disso. Era preciso encobrir o caso porque a América estava envolvida numa guerra fria com a União Soviética. Levarem a julgamento em tribunal os militares, a CIA e os agentes dos  serviços secretos por  assassinarem o Presidente dos Estados Unidos abalaria  a confiança do povo americano no seu próprio governo.

Oswald não teve nada, mesmo nada, a ver com o assassinato de JFK. Foi por isso que Oswald foi ele próprio assassinado dentro da cadeia de Dallas antes que pudesse ser interrogado.

Para aqueles de vós que são demasiado jovens para terem vivido a presidência de John Kennedy e para aqueles que já se esqueceram da sua  grandeza, façam a vocês mesmos um grande favor e ouçam este seu discurso de 5 minutos e 23 segundos. Tentem imaginar quem de entre os bobos da corte actuais seria capaz  de fazer um discurso como este. Vejam como tanto é bem dito em menos de 5 minutos e meio.

Kennedy pretendia retirar os Estados Unidos do Vietname quando fosse reeleito. Pretendia partir a CIA “em mil bocados” e reduzir o complexo  militar e de segurança que estava a exaurir o orçamento dos E.U.

E é por isso que foi assassinado. O demónio que mora em Washington mata não somente líderes estrangeiros que tentam fazer o que é correcto, mas mata também os seus próprios.

Aqui está o discurso de JFK: https://www.youtube.com/watch?v=YafZkjiMpjU

e…seja abençoado o último verdadeiro Presidente da América!.

1 Comment

  1. Uma pergunta: o facto de JFK ser filho de alguém, desde há muito, muito mal relacionado (!) não terá sido decisivo para o seu assassinato? Tanto quanto parece, depois do crime hediondo, num certo submundo houve uma alteração da chefia que – como tudo parece indicar – conseguiu colocar-se muito bem no plano internacional. CLV

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