
Selecção, tradução e nota de introdução por Júlio Marques Mota

Uma pequena nota sobre o texto de Paul Craig Roberts e dedicado à adolescente de outrora, Beatriz Feio
A história e o mundo pregam-nos com que partidas! Ao traduzir o texto de Paul Craig Roberts deparo-me com a seguinte afirmação, a propósito da grandeza de John F. Kennedy como líder político:
“Para aqueles de vós que são demasiado jovens para terem vivido a presidência de John Kennedy e para aqueles que já se esqueceram da sua grandeza, façam a vocês mesmos um grande favor e ouçam este seu discurso de 5 minutos e 23 segundos. Tentem imaginar quem de entre os bobos da corte actuais seria capaz de fazer um discurso como este. Vejam como tanto é bem dito em menos de 5 minutos e meio”.
Nada de especial no presente texto, é certo. No entanto ao traduzi-lo veio-me à memória uma conversa tida com uma miúda da idade de minha filha, Beatriz Feio, sobre o peso dos artistas na ilustração dos seus espaços pessoais, os seus quartos, na altura com 12-15 anos. Era assim com ela, era assim com a minha filha, era assim com todos os adolescentes dos anos 90. E à volta desse tema dispara-me ela a pergunta: diga-me então um político de craveira internacional que acha que demos colocar nas paredes dos nossos quartos. Tinha já passado o tempo dos Olaf Palm, o político que se queria confundir na rua ou no cinema com o vulgar cidadão, dos Bruno Kreisky, o homem de que se diz ter dito que se recusava sentar à mesma mesa que Mário Soares, tinha também já passado o tempo dos Willy Brandt. Que nos restava de figuras para responder àquela adolescente? Ninguém. Oskar Lafontaine andava perdido na lógica europeia e Helmut Schmidt não tinha na época o carisma para ser uma referência da juventude, Mandela estava na prisão. Este trio que de vários pontos de vista viria depois a ser referência bem mais tarde mas não já para os jovens, era para estes adolescentes um trio de ilustres desconhecidos e nunca poderia nenhum deles ser então indicado como referência intelectual para a juventude. Tinha necessariamente muito mais peso um Bob Gedhof que os políticos de então. A consequência do neoliberalismo diria eu hoje, é exactamente a inexistência de políticos no sentido nobre da Política, capazes de perspectivar ao longe o que mais pode e deve interessar aos seus povos, tudo isto assente também num conhecimento das suas próprias raízes como país e como parte da civilização. Uma inexistência de gente de nível que se explica por muitas razões entre as quais o curto-termismo de que se vive na sociedade neoliberal, assente também na ignorância sobre as perspectivas de médio e longo prazo porque não é necessário tê-las e não é necessário tê-las porque os mercados são soberanos e estes têm perspectivas a três-meses em roll-over ou não. E se não é necessário tê-las, não é necessário também o saber, que é sempre bem caro para a colectividade, para as poder ter e daí a paisagem desértica que são hoje as nossas Universidades.
Pois bem, vinte anos depois temos aqui a mesma pergunta, com Paul Craig Roberts a coloca-la para todos nós e a sua pergunta Tentem imaginar quem de entre os bobos da corte actuais seria capaz de fazer um discurso como este, é praticamente a mesma que a filha do meu amigo Joaquim Feio me colocou: quem acha que devemos ter como poster , como referência nas paredes do nosso quarto? Hoje, não há nenhuma hesitação na resposta: ninguém.
E é pena e por isso estamos todos, os verdadeiros culpados desta realidade, a sermos agora as vítimas. E lamento pelos nossos filhos e netos.
Coimbra, 24 de Maio de 2016.
Júlio Marques Mota
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Quando mataram JFK mataram a América

Paul Craig Roberts, When they killed JFK, they killed America
paulcraigroberts.org, 7 de Maio de 2016

Uma pergunta: o facto de JFK ser filho de alguém, desde há muito, muito mal relacionado (!) não terá sido decisivo para o seu assassinato? Tanto quanto parece, depois do crime hediondo, num certo submundo houve uma alteração da chefia que – como tudo parece indicar – conseguiu colocar-se muito bem no plano internacional. CLV