Ontem, Sábado, dia 3 de Setembro de 2016, a Literatura Portuguesa ficou mais pobre ao perder a militante feminista, investigadora universitária e escritora Maria Isabel Barreno, uma das «três Marias» que, com Novas Cartas Portuguesas, agitaram os meios intelectuais nas vésperas da Revolução de Abril. A cerimónia de cremação está marcada para hoje, Domingo, às 17 horas, no cemitério dos Olivais
Com Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, uma das Três Marias que, com as Novas Cartas Portuguesas, obra editada em 1972, provocou escândalo ao denunciar a discriminação a que, em diverso0s níveis e graus de violência. a mulher portuguesa era vítima- Escrito numa linguagem crua, foi iniludivelmente um factor que contribuiu para contrariar o papel que a ditadura agora liderada por Marcelo Caetano, mas mantendo a tacanhez salazarista, reservava à mulher – a de companheira submissa de cidadãos respeitadores da ordem estabelecida. O livro foi proibido, acusado de pornográfico e submetido a um processo judicial que ficou conhecido como o das Três Marias. O julgamento prolongou-se por dois anos e foi acompanhado pela imprensa e por movimentos feministas internacionais, havendo mesmo manifestações de protesto juntos às embaixadas e consulados portugueses em Londres, Paris e Nova Iorque.
Pode dizer-se que esta obra foi um dos maiores contributos dado pela classe intelectual à Revolução de 25 de Abril de 1974. As escritoras foram absolvidas. “Quando escrevemos as Novas Cartas Portuguesas, sabíamos que a obra em si já era uma ousadia, independentemente do vocabulário que viéssemos a usar – mas era o que nos interessava escrever naquela altura e por isso fomos para diante”, disse Isabel Barreno, “Nunca pensei que o regime – até porque estávamos em pleno marcelismo e havia a ideia de que a abertura era outra – caísse na asneira de nos levar a tribunal»».
Sem papas na língua, falam da condição da mulher, «da sua submissão à ordem patriarcal e burguesa, de violência doméstica e de género, de aborto, violação, incesto, pobreza, censura, e de expressão sexual feminina”, sobre os direitos das mulheres em Portugal, mas acabaram por extravasar essa intenção inicial. “É um libelo contra todas as formas de opressão”-


” Sem papas na lÃngua, falam da condição da mulher, «da sua submissão à ordem patriarcal e burguesa, de violência doméstica e de género, de aborto, violação, incesto, pobreza, censura, e de expressão sexual femininaâ, sobre os direitos das mulheres em Portugal, mas acabaram por extravasar essa intenção inicial. âà um libelo contra todas as formas de opressãoâ-Obrigada Dra Isabel
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No dia 4 de setembro de 2016 Ã s 15:59, A Viagem dos Argonautas escreveu:
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