O melhor do mundo são as crianças.
E o mundo está preparado para as cuidar, para lhes dar atenção, para punir quem as maltrata?
Segundo a Convenção dos Direitos das Crianças, estas não podem ser vítimas de violência, ou seja de ameaças, de humilhações, de pancada, de abandono, de venda, de discriminações, de pais ausentes, de exclusão social ou escolar, de falta de abrigo….e de…e de… tantos e que não caberia neste pequeno texto.
E os meninos soldados, e os meninos de rua, e os meninos refugiados, onde está o mundo para as receber com o carinho que merecem, em qualquer parte do Mundo.
E os meninos deficientes, e os meninos com doenças incuráveis, e os meninos que estão no Hospital e não têm visitas da mãe nem do pai?
Os meninos soldados nascem para matar?
Os meninos de rua são meninos de ninguém, romperam com a família e com a escola.
E os meninos refugiados num país que não conhecem, que não sabem a Língua do país de acolhimento?
E os meninos escravos?
Nada disto está inscrito no nosso ADN.
O ser humano nasce e cresce munido de capacidades que o podem fazer ser feliz.
Todas as crianças começam a andar e a falar, mais ou menos, na mesma idade.
As crianças têm capacidade de amar e de julgar, têm capacidade de sentir que não são bem tratadas, de sentir que estão a ser negligenciadas; mas a força do amor que têm para dar aos pais, à família não é facilmente quebrada. E não o é porque as figuras de referência que têm são as dos pais e as das mães.
Se me batem é porque mereço_________________se lhe bato é para ele aprender a ser homem, se lhe bato e não a mando para a escola porque ela tem que saber as lides da casa para casar.
Felizmente que a maioria das crianças do mundo não vive num inferno.
Mas são milhões de crianças espalhadas por todo o mundo que sentem o calor das labaredas de fogo…
A verdade é que estamos a passar uma época em que parece não haver limites para os comportamentos. As mulheres maltratadas e assassinadas pelos companheiros quando queriam separar-se, o companheiro opunha-se, primeiro com ameaças e humilhações.
O sentimento de posse, a falta de regulação das emoções e a sociedade “de brandos costumes” fazem da Violência no seio da família mais um caso que o tribunal vai resolver, se ainda houver mulher.
São mães que sentem, como qualquer outra, amor e carinho pelos filhos.
Os filhos, pelos quais a mãe luta para ter todos os dias “comida na mesa”, vêem o pai humilhar e bater na mãe. A mãe chora, o pai bate com a porta e as crianças ficam assustadas e infelizes, não entendem esta violência e começam a pensar se será por sua causa.
O ser Humano é muito complexo, mas ninguém nasce para bater ou ser batido.
O mundo parece que adormeceu, os países fazem leis de protecção para as crianças, as famílias dizem não ter medo da polícia, o filho sente-se só no mundo e vai aprendendo a viver consoante as suas capacidades e idades.
É chocante que um homem mate a mulher, que uma mulher esfaqueie o companheiro, que os filhos sejam agressores com colegas e amigos. É chocante saber que um filho matou o pai porque já não tinha capacidade para assistir a tantas cenas violentas…
As inundações não param por se secar o chão, mas por se fechar a torneira.
Há tantas torneiras abertas, há tanto chão molhado, há tanta lágrima a limpar a cara das crianças…

