Neste mundo tão desorganizado, lá vamos encontrando uma brecha aqui outra ali, para vivermos da melhor maneira possível, mas a melhor maneira possível de se viver não é igual para todos.
Perante tanta adversidade temos a tendência de nos organizarmos à volta de quem gostamos, das coisas que não abdicamos. Mas como as convicções são nossas queremos que as dos outros sejam iguais, queremos que deixem as suas convicções para poderem viver connosco com as nossas regras e costumes.
Por influência cultural ou por pressão social e governamental agredimos quem é o outro, sem sabermos que estamos a discriminar negativamente quem vive ao nosso lado, quem vai à mesma escola.
Esse outro pode ser nós, não há muito tempo as crianças portuguesas, que viviam no Luxemburgo, eram as que tinham maior insucesso… as famílias portuguesas sentiam-se discriminadas e não desejadas. E se quisermos ir um pouco mais atrás, no tempo, encontramos as habitações degradadas onde viviam os portugueses em França, nos anos 60.
Após a independência das colónias, muitas pessoas regressaram a Portugal, eram os retornados, por vezes, muito mal tratados…
…e na Rodésia os portugueses que foram assassinados porque são portugueses, ou melhor, porque fazem concorrência com o mercado local…
Agora, na terra da Liberdade, na França, o governo quer proibir as mulheres muçulmanas de vestirem um fato de banho integral na praia.
É claro, que o fato de banho integral representa a falta de liberdade das mulheres, representa a submissão aos homens, o corpo das mulheres é para ser visto pelo marido e por mais ninguém.
Não se defende a Liberdade da Mulher muçulmana nas praias francesas…
Ninguém nos liberta, nós é que temos que nos libertar. E como? Através da interculturalidade.
Para haver interculturalidade é preciso haver respeito mútuo. Os diferentes e os iguais, os eu e os outros têm que sair do seu egocentrismo e conhecer mundo.
Os discriminados ou aqueles que são reconhecidos pela negativa não são felizes e, muitas vezes, libertam-se dessa infelicidade de forma violenta.
Os discriminados não têm cor nem religião, têm outra cultura.

