FRATERNIZAR – Manchete 4 da Edição 120 do JF A que Deus agrada semelhante hipocrisia-e-vaidade? REZAM PELA PAZ EM ASSIS E O QUE VEM DEPOIS É AINDA MAIS GUERRA!!! – MÁRIO DE OLIVEIRA

 

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O papa regressou esta semana a Assis para lá rezar pela paz. Pelos vistos, o deus dele, que não tem nada a ver com o Deus de Jesus e dos povos das nações por igual, gosta destas rotinas papais e de outros líderes religiosos que, como ele, se pelam todos por se afirmar como tais sobre os respectivos súbditos. É muito estranho que, já neste adiantado início do terceiro milénio, ainda haja pessoas que continuem a sentir-se bem no estatuto de súbditos destes e de inúmeros outros líderes religiosos, todos barrigudos como Buda e efeminadamente vestidos da cabeça aos pés com mantos bordados a ouro, como quem vive num permanente carnaval, que outra coisa não são, a olhos críticos do terceiro milénio, as liturgias religiosas e laicas nos templos, nos palácios do Poder e nas praças públicas. Todos eles são perigosos esquizofrénicos que não se reconhecem e que os povos das nações, estranhamente, continuam a tomar a sério, quando deveriam interná-los em casas da especialidade e cuidar-lhes das mentes que fazem adoecer as mentes de todas aquelas muitas pessoas que ainda vão nestas suas esquizofrenias. Vê-se bem que isto de Religiões só pode ser uma doença. A doença infantil da Humanidade. A mais antiga e a mais grave de todas, porque a mãe de todas as outras doenças que impedem os seres humanos de crescer de dentro para fora em liberdade e autonomia, em sabedoria e entrega de si uns aos outros. É dura esta linguagem? Ou é a realidade que é dura?

O culpado destas romarias papais e de muitos outros chefes de religiões que aspiram a ser tão poderosos, ricos e infalíveis quanto ele, é o papa João Paulo II, hoje já definitivamente transformado numa estátua de santo de altar, sem nada de humano, uma coisa que redunda numa potente máquina de fazer entrar muito dinheiro no Vaticano, o estado mais poderoso e mais rico do mundo,.e também nas igrejas católicas, sobretudo da Polónia, o país natal de Woytila, filho de mulher, de onde teve de sair, quando aceitou ser totalmente comido e digerido pela Cúria romana, a mais perversa das máfias à face da terra. Só turistas de muito mau gosto são capazes de deixar as suas casas para alinharem neste tipo de “peregrinações” à imperial basílica-e-praça de s. pedro em Roma e a outros santuários do mundo, onde seres humanos empobrecidos e deprimidos se auto-flagelam diante de toda a gente, em desconto de pecados que nunca cometeram, mas que os seus líderes religiosos que rezam pela paz reiteradamente lhes dizem-ensinam que cometeram. Em lugar de mandarem todas estas doutrinas-ideologias para os porcos, como faz Jesus às crenças e aos medos com que a generalidade dos seres humanos anda possessa, vão, elas próprias, pelos próprios pés, meter-se nas bocas deles que lhes devoram a alma e lhes levam couro e cabelo.

Em Assis, o papa Francisco, jesuíta argentino, antigo cooperante do ditador Videla, hábil, como só os jesuítas são capazes, não se cansa de esquizofrenicamente repetir para tudo o que são grandes media reproduzir urbi et orbi, “Paz, paz, paz”. Entretanto, para chegar a Assis, o papa viaja de helicóptero – um privilégio de muito ricos – onde sabe que, à chegada, é recebido pelo arcebispo D. Domenico Sorrentino, o seu vassalo-mor da cidade, fardado a rigor, com o anel de vassalo no respectivo dedo e a cruz peitoral pendente de um grosso fio de ouro que lhe envolve, como coleira, o pescoço. E não só por ele. Também pelos outros vassalos menores, concretamente, as diversas autoridades civis e religiosas locais. O costume. É por isso imperativo ético, neste tipo de mundo não humano, concebido, alimentado e gerido por estas minorias dos privilégios e dos poderes, os três num só, que os povos das nações façam implodir os sistemas que as produzem e justificam, sob pena de nunca chegarem a sair da sua condição de abortos humanos.

Durante a sua permanência de um dia de luz solar em Assis, o papa encontrou-se com seis  vencedores – só podiam ser vencedores, como ele, o vencedor dos vencedores – do Prémio Nobel da Paz, um galardão concedido pelo grande deus e senhor do mundo, o Dinheiro ou Poder financeiro. A estes, juntaram-se também 25 refugiados escolhidos a dedo, para dar a impressão de que se gosta muito deles, quando a esmagadora maioria que escapa de morrer no mar, continua a ser tratada abaixo de cão, enquanto vê erguerem-se muros por todo o lado, numa postura de demência europeia assumida, a mais abjecta.

Um pormenor de todo chocante é que a chamada oração ecuménica pela paz só acontece pelas 16 horas e – escândalo dos escândalos! – decorre em locais distintos, conforme as religiões. Na Basílica interior de S. Francisco, as igrejas e comunidades cristãs. Noutros locais diversos, as outras religiões. Todos chefes religiosos, mas, pelos vistos, de deuses diferentes, incompatíveis uns com os outros. E tudo isto porquê? Porque o papa é o chefe máximo da única religião-igreja que se tem por verdadeira. Ainda aceita que rezem com ele os chefes das outras igrejas cristãs, na esperança de que todas venham a reconhecê-lo ou aos seus sucessores como o seu único chefe. Já das outras crenças, não há nada a esperar de bom, a não ser o cumprimento de um manual de boas maneiras, para povos das nações verem. Só quando os membros dessas religiões se tornarem pelo menos cristãos, fica dado o primeiro passo para serem crentes do deus do papa, o mesmo do imperador Constantino, o dos concílios de Noceia-Constantinopla, que definiu Deus como “um só deus pai todo-poderoso”, cujo representante máximo na terra é o próprio imperador e quem, não muito tempo depois, lhe veio a suceder, o papa de Roma.

É para cobrirem-divulgarem toda esta hipocrisia e vaidade que são mobilizados os profissionais dos grandes media e os chefes de grande número de religiões e múltiplas outras organizações locais e mundiais. A paz de que falam uns com outros é a guerra cada vez mais sofisticada. Estas encenações são indispensáveis para manter os povos crédulos e possessos de medos ancestrais , na ilusão de que algo está a ser feito para que os crimes que as guerras são. terminem. É tudo fogo de vistas. Porque a paz por que aspiram os povos é apenas aquela que resulta não deste tipo de rezas e de hipocrisias, mas do permanente coito entre a verdade e a justiça praticadas.

É por esta via desarmada que vai Jesus, o filho de Maria, o ser humano pleno e integral. Matam-no como o maldito na cruz do império, a mesma cruz que agora cada bispo cristão católico ou protestante exibe orgulhosamente sobre o seu peito. O cúmulo da pouca vergonha que só pode despertar asco e indignação em cada ser humano com um pingo de dignidade. Eis Assis e a oração pela paz do papa Francisco, o tal que os grandes media começaram por dizer que corria perigo de vida, semanas depois de ter tomado posse. Perigo de vida correm os povos da terra, enquanto ele e todos os institucionais de poder que ele e o papado de Roma patrocinam e legitimam, estiverem aí de vento em popa. Acordemos e mudemos de postura política, se há em nós coragem para tanto!

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