SINAIS DE FOGO – PROLETÁRIOS DE TODO O PAÍS APRENDAM MANDARIM – por Soares Novais

sinais de fogo

 

Caros proletários de todo o país, permitam-me um conselho: aprendam mandarim. É que depois da EDP e da Fidelidade, são o Millennium BCP e o Grupo Global Média que estão sob o ponto de mira dos chineses do Fosun e do KNJ. O Fosun quer o banco e o KNJ o “DN”, o “JN” e a TSF.

Os chineses gostam de Portugal e das nossas empresas. E sabem que os mandões lusos vendem ao desbarato. Tal e qual ficou provado na aquisição da EDP. A China Three Gorges pagou 2,7 milhões e hoje ganha 400 mil euros por dia em dividendos.

Foi um bom negócio para os chineses, pois. Para eles e para Mexia e Catroga. Testemunham-no as mordomias com que os mimam e os seus salários. Salários que, como se sabe, são pagos pelo sistema capitalista daquela república popular…

O Grupo Fosun também anda por estas paragens. Adquiriu a seguradora Fidelidade e se tudo correr como está escrito nos céus assumirá o controlo do Millennium BCP já no final deste mês.

O Grupo Fosun é o maior consórcio da China e o senhor Guangchang, seu presidente e principal accionista,  é parceiro de Jorge Mendes, o superagente da bola. Guangchang e Mendes querem expandir a indústria do futebol na China e estão de olho num negócio que lhes pode garantir biliões.

Mas há mais tubarões chineses a dar à costa: o KNJ Investment Limited, por exemplo. O grupo é liderado pelo empresário Kevin Ho e tem sede em Macau.

Kevin Ho é  sobrinho  do ex-chefe do Executivo macaense – ser filho ou sobrinho de chefe de Estado ou de governo dá sempre jeito … – e o seu grupo quer ser o maior accionista do “Global Media”, que detém títulos como o “DN”, o “JN” e a TSF.

A operação está a ser montada e deverá ser concretizada no próximo ano. Para tal, o grupo de Ho fará um aumento de capital e comprará pequenas parcelas (2,5%) das participações de 15% que são detidas pelo BCP e pelo Novo Banco.

Os chineses do KNJ garantirão dessa forma uma participação de 30% do capital, sendo que estão dispostos a investir entre 15 e 20 milhões de euros.

Assim, – e pese embora o facto de alguns dos seus assalariados terem garantido o seu futuro em Macau… – aconselha-se, vivamente, que voltem aos bancos da escola. Urge desenferrujar o mandarim.

Tal ser-lhes-á muito útil. Certamente.

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