A OPINIÃO DE DANIEL AARÃO REIS – VAI SER DESSE JEITO.

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De que jeito?

Com ideias viáveis, originais, esperançosas. Basta olhar para ver: em relação aos transportes e à mobilidade urbana, à saúde e à educação, à moradia e à cultura, à assistência social e ao meio ambiente, ao esporte e à segurança pública, ao lazer, à liberdade e à diversidade, à participação popular. Em todas as áreas, as propostas de Marcelo Freixo e Luciana Boiteux, priorizando as camadas populares,  a Zona Norte e a Zona Oeste, trazem   marcas inovadoras, evidenciadas pela experiência, pelo compromisso e pela perspectiva de reformar.

Reformar para construir um governo municipal republicano nesta república tão privatizada, restabelecendo-se a ideia de que o interesse público pode  e deve  prevalecer sobre os apetites  particulares. Para recuperar a noção de cidadania, que não se restringe à elevação simples do consumo, por mais coisas que se possa comprar. Cidadania é protagonismo dos cidadãos na gestão e no controle da Coisa Pública, eis que esta merece ser controlada por todas e por todos, e não entregue nas mãos de pretensos aristocratas ou  de paizinhos e de mãezinhas que cuidarão do interesse geral. Para valorizar a  aspiração à autonomia das pessoas, libertas da propensão à ilusória segurança, que se traduz em servidão voluntária.

Este reformismo revolucionário – na boa expressão de Carlos Nelson Coutinho – não haverá de nascer após a eleição dos candidatos. Ele já se vertebra na campanha eleitoral. Assim, a  elaboração do programa não foi resultado do trabalho  bem pago de escribas que formulam sugestões ao gosto de cada candidato e que acabarão em gavetas empoeiradas. Marcelo e Luciana defendem ideias formuladas por inúmeros encontros, mobilizando milhares de pessoas. A mudança de estilo – e de conteúdo – também aparece  no financiamento dos gastos da campanha, onde  mais de 5.400 doadores – pessoas físicas – juntos, proporcionaram a arrecadação de quase 550 mil reais. As próprias atividades de divulgação e persuasão não são obra de cabos eleitorais mercenários, mas conduzidas por dezenas de núcleos, disseminados pela cidade, tentando reverter, na base da entrega gratuita, os dispositivos antidemocráticos que reduzem a segundos as vozes de minorias autênticas,  em proveito de alianças que se baseiam na compra e venda de tempos de televisão, convertidos mais tarde em benesses e cargos.

A marca do compromisso reformista está na história de Marcelo e de Luciana. Eles são relativamente jovens, mas já têm perfil de veteranos.  Puseram o pé na estrada há anos, dispondo-se a enfrentar o isolamento, a incompreensão,  as ameaças e as perdas. Na luta em defesa dos direitos humanos, no estudo – e na convivência – com as duras condições da população carcerária, na  condução das comissões parlamentares de inquérito, sobre as milícias e o tráfico de armas e de munições, acumularam conhecimentos teóricos e saber prático que aparecem agora na forma como lidam com a segurança, questão que se tornou, hoje,  uma das mais sensíveis para a população desta cidade sofrida e traumatizada. Temos a polícia que mais mata e que mais morre. E nesta matança, matam e morrem sobretudo jovens negros. A quem serve este genocídio?

É esta experiência, adquirida, que  permite, hoje, diagnosticar problemas e propor soluções que, no entanto, só ganharão consistência com a participação constante   dos eleitores, chamados a se transformar em cidadãos ativos e conscientes na construção de um novo governo.

Nesse contexto não há lugar para as demagogias habituais que habitam as pirotecnias das campanhas eleitorais que alternam pedros e paulos, paulos e pedros, ou misturam crenças religiosas com princípios políticos, incentivando intolerâncias, ou propõem  alianças do A  e do B que se fazem – e se desfazem – ao sabor das circunstâncias e das aspirações ao exercício do poder pelo poder. A velha história do Príncipe Falconeri: tudo deve mudar para que tudo fique como está. Ou em outra versão, mais prosaica, transformar as aparências, para que as coisas permaneçam como sempre,  iguais.

Não dá para continuar desse jeito. O jeito do marasmo e da desesperança. Trocar o seis pela meia dúzia. O padrinho pelo afilhado. A política pela religião. O ex-aliado pelo futuro aliado. O mais do mesmo.

Tem que ser de outro jeito. De um jeito alternativo, fiel às melhores tradições – rebeldes – desta cidade. Em 2012, foi a campanha mais pobre e mais bonita. Chegou-se a 28% dos votos. Dois anos depois, porém, Marcelo Freixo foi o deputado estadual mais votado do país. Um reconhecimento e uma promessa.  Em 2016, agora, vai ser possível  superar a descrença, inaugurando, em 2 de outubro, uma outra primavera. A nossa cidade, a bela São Sebastião do   Rio de Janeiro,  tão depredada e sempre renascida, merece.

E desse jeito, na rua, na rede, na raça, a esperança, renovada,  vencerá.

Daniel Aarão Reis

Professor de História Contemporânea da UFF

Email: daniel.aaraoreis@gmail.com

 

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