SINAIS DE FOGO – MARIONETAS MOSTRAM NOVA CASA AOS PORTUENSES – por Soares Novais

sinais de fogo

marionetas

 

Agora, as Marionetas do Porto têm uma nova casa. Paredes-meias com o teatrinho de portas vermelhas da companhia fundada por João Paulo Seara Cardoso (1956/2010). O novo Museu ocupa o nº 61 da Rua de Belomonte, em pleno Centro Histórico. Sábado, dia 22, realiza-se a primeira visita guiada ao novo espaço.

A visita ao Museu das Marionetas dura uma hora e é acompanhada pela voz de um actor da companhia. A lotação máxima é de 20 pessoas pelo que aconselho a reserva de lugar através do telefone 22 0108224 ou do e-mail museu@marionetasdoporto.pt.

O bilhete para a exposição e a visita guiada, que começa às 16 horas, custa 3.50 euros por pessoa. Ali, poderá ver centenas de bonecos, cenários e adereços relativos às peças produzidas pela companhia sonhada por Seara Cardoso, Mário Moutinho, Rosa Ramos, João Loio, Ana Queirós e Carlos Magalhães. E ficará a conhecer a história e momentos mais marcantes do Teatro de Marionetas do Porto (TMP).

Até há pouco, o Museu das Marionetas ocupou um edifício da vizinha Rua das Flores. O espaço era arrendado, a companhia fez ali trabalhos profundos de renovação, mas não teve possibilidades de exercer o seu direito de opção, pelo que teve de o entregar ao novo proprietário do imóvel.

Com o apoio da autarquia portuense foi encontrada uma solução. O Museu das Marionetas passa a ter dois pólos: este na Rua de Belomonte, que foi inaugurado no passado dia 29 de Setembro; e outro na Quinta de Bonjóia, em plena Freguesia de Campanhã. Um pólo que, segundo Isabel Barros, directora artística do TMP, terá uma forte componente social. A Freguesia de Campanhã é uma das mais carenciadas do Porto.  Económica e socialmente.

A companhia do Teatro de Marionetas do Porto e o Museu são duas instituições legadas à cidade por João Paulo Seara Cardoso: em Setembro de 1988 fundou a Companhia e anos mais tarde começou a trabalhar na criação do Museu. A sua morte a 30 de Outubro de 2010 impediu-o de ver o Museu em pleno funcionamento, pois este abriu as suas portas em 2013.

José Manuel Gigante foi o arquitecto que recuperou o edifício da Rua das Flores para o Museu. Tal qual fizera com aquele que alberga a Companhia e que antes foi uma drogaria. Com este projecto, Gigante ganhou uma Menção Honrosa, Prémio AAP/SEC – Obras de Recuperação, Reabilitação”.

Encenador, escritor, professor, João Paulo Seara Cardoso dedicou-se à pesquisa e reconstituição do Teatro Dom Roberto e de Mestre António Dias herdou esta tradição secular e popular.

Graças a Seara Cardoso, o teatro de marionetas conheceu uma profunda revolução estética e produziu obras de autores como António José da Silva, Aquilino Ribeiro, Almada Negreiros, Al Berto, Luísa Gomes,  Becket, Ionesco, Gregory Motton, Shakespeare, Lewis Carrol, A. Milne,  Heiner Muller, Marguerite Duras e Alfred Jarry.

Com o Teatro Dom Roberto fez 1500 representações e para o Teatro de Marionetas do Porto dirigiu todos os seus espectáculos. Desde 1988 até 2010. As suas encenações também foram apresentadas além fronteiras: Holanda, Espanha, Inglaterra, Irlanda, Itália, Bélgica, Canadá, França, Suíça, Cabo Verde, Áustria, China, Brasil, Polónia, República Checa, Israel e Marrocos.

“A Árvore dos Patafúrdios”, “Os Amigos de Gaspar”, “Mópi” e “No Tempo dos Afonsinhos” foram os programas que criou e dirigiu para a RTP.

Agora, seis anos após a sua morte, o seu Museu das Marionetas tem nova casa e o TMP tem o mês de Outubro recheado de actuações ( Este fim de semana, apresentou “Wonderland” no Cine-Teatro Constantino Nery, em Matosinhos; dia 20 apresenta “Kitsune” no Teatro Rivoli, no Porto; e dias 23 e 30 apresenta “Barba Azul” na Academia de Música de Espinho e no Auditório Ruy de Carvalho, em Carnaxide, respectivamente).

Tudo por boa culpa de Isabel Barros, que com Rui Queiroz de Matos, Shirley Resende, Sofia Carvalho, Filipe Azevedo e Pedro Ramos, mantém viva a obra de um criador talentoso e com lugar cativo no Olimpo dos eleitos.

Leave a Reply