
Este editorial é dedicado a António Mourão, fadista português que se tornou famoso com a canção de Eduardo Damas e Manuel Paião, cujo título adoptamos para o dia de hoje. E claro que o dedicamos também a alguns personagens da cena internacional, que parecem querer voltar, não para os braços da Severa, mas os tempos da Guerra Fria, e (há quem suspeite) para ainda mais atrás no tempo, para o da Guerra dos Sete Anos, ou até dos Cem Anos.
Que um tema maior das campanhas eleitorais norte-americanas tem sido o das relações dos Estados Unidos com a Rússia é do conhecimento de muita gente. Hillary Clinton, admiradora de Henry Kissinger censura ao xenófobo, racista, sexista, etc. Donald Trump ser amigo de Putin. Este é acusado de querer interferir nas eleições norte-americanos, mediante espionagem informática, e outros métodos parecidos. Entretanto, não é descabido recordarmos Mitt Romney (lembram-se dele?) o adversário de Obama nas eleições presidenciais de 2012, que definiu a Rússia como o “inimigo geopolítico número um”. Hillary Clinton apresenta-se actualmente pelo partido democrático, e Mitt Romney em 2012 foi nomeado pelo partido republicano como candidato à presidência da república. Trump apresenta-se a eleições do próximo mês de Novembro igualmente como candidato pelo partido republicano. Será por ele ser xenófobo, racista, sexista, etc. que tem tanta gente importante contra ele? Ou por não achar a Rússia o “inimigo geopolítico número um”? Esperemos que a história nos responda.
Aqui pela Europa François Hollande está muito aflito por Putin querer vir a França inaugurar um centro ortodoxo. Não conhecíamos realmente esta faceta religiosa do presidente da federação russa. Hollande, por seu lado. manifesta-se preocupado com a Síria. Faria melhor em falar directamente com Putin, em vez de aguardar para que lado vão cair os norte-americanos. Putin já desistiu de ir a França.
Noutro capítulo, Hollande afirmou que o Reino Unido terá de pagar um preço por abandonar a EU. Os britânicos reagiram dizendo que “um plano punitivo” não é uma boa estratégia. A coisa promete!
Os braços da Severa seriam uma causa muito mais interessante. Mas estejamos atentos. Propomos que cliquem nos links abaixo:
http://www.lemonde.fr/idees/article/2016/10/11/poutine-et-sa-diplomatie-du-non_5011747_3232.html
