PRÉMIO FERNANDO NAMORA PARA “FLORES” DE AFONSO CRUZ

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Foi por unanimidade que o romance de Afonso Cruz , “Flores”, venceu o Prémio Literário Fernando Namora.

O Prémio Literário Fernando Namora foi instituído pela Sociedade Estoril Sol em 1987 mas atribuído pela primeira vez apenas em 1989. Foram os cinquenta anos de vida literária de Fernando Namora a motivação inicial para a criação do prémio, até porque o autor expôs algumas vezes na Galeria do Casino Estoril, «onde encontrou divulgação, amizade e apoio», nas palavras de um dos responsáveis da Estoril Sol. Inicialmente com uma periodicidade bienal, depois trienal, passou a anual a partir da sétima edição (2003).

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Guilherme d’Oliveira Martins presidiu ao júri desta edição, que foi ainda constituído por José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Maria Carlos Loureiro, pela Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Maria Alzira Seixo e Liberto Cruz, convidados a título individual, e Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril Sol, que organiza e patrocina o prémio.

Foram também  concorrentes os romances “O luto de Elias Gro”, de João Tordo, “Desamparo”, de Inês Pedrosa, “Arquipélago”, de Joel Neto, “Os Filhos de K”, de Julieta Monginho, “Astronomia” de Mário Cláudio e “O sonho português”, de Paulo Castilho. E, por isso, o júri reconheceu ter sido um ano literário de excecional qualidade.

No seu blog, Afonso Cruz  apresenta-se: “Escreve e, além de ilustrador, realiza filmes de animação — às vezes de publicidade, às vezes de autor –, e é um dos elementos da banda The Soaked Lamb. Em Julho de 1971, na Figueira da Foz, era completamente recém-nascido e haveria, anos mais tarde, de frequentar lugares como a António Arroio, as Belas Artes de Lisboa, o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e mais de meia centena de países”.

O livro já recebera o Prémio Autores para Melhor Ficção Narrativa, atribuído pela SPA em 2014. Nele se fala de um homem que  sofre desmesuradamente com as notícias que lê nos jornais, com todas as tragédias humanas a que assiste. Um dia depara-se com o facto de não se lembrar do seu primeiro beijo, dos jogos de bola nas ruas da aldeia ou de ver uma mulher nua. Outro homem, seu vizinho, passa bem com as desgraças do mundo, mas perde a cabeça quando vê um chapéu pousado no lugar errado. Contudo, talvez por se lembrar bem da magia do primeiro beijo – e constatar o quanto a sua vida se afastou dela – decide ajudar o vizinho a recuperar todas as memórias perdidas.Uma história inquietante sobre a memória e o que resta de nós quando a perdemos. Um romance comovente sobre o amor e o que este precisa de ser para merecer esse nome. «Viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias.»

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