Como falar deste lixo imoral que nos submete e submerge? Como não reparar neste fascismo ordinário, boçal e ladrão, que goza impune com a credulidade dos povos e beneficia de um certo “laissez faire, laissez passer” cobardola e oportunista?
Talvez falando de comportamentos inesperados que são lições de uma vida decente. E …. imaginem…lembrei -me da cabeçada do Zidane!
Jogava-se a final do campeonato do Mundo de futebol em 2006.
França contra Itália, e de repente Zidane vira –se e dá uma cabeçada em Materazzi, defesa Italiano. Cartão vermelho, expulsão, Itália ganhou o campeonato.
Este momento foi dos mais marcantes em toda a minha vida.
Zidane, um dos melhores jogadores do Mundo, também amado por não fazer faltas nem praticar jogo sujo, faz uma agressão que sabia que lhe custaria a expulsão e a derrota no Mundial!
Claro que isso só se compreenderia se tivesse sido ofendido pelo Italiano.
E foi o que se passou: “Mais de uma vez insultaram a minha mãe e nunca respondi. Mas ali… ela estava doente, no hospital. Era mau momento”.
Zidane pediu desculpa à equipa. Mas nunca pediu perdão a Materazzi, nem pensa fazê-lo. “Pedir perdão a este… Se tivesse sido ao Kaká, um tipo normal, bom, claro que lhe teria pedido perdão. Mas a este! Se lhe pedisse desculpa, faltava ao respeito a mim mesmo e a todos aqueles de que gosto com a alma. Peço desculpa ao futebol, aos adeptos, à equipa… Depois do jogo entrei no balneário e disse: ‘Perdoem-me. Isto não muda nada, mas peço perdão a todos’. Mas a ele não consigo. Nunca, nunca. Seria desonrar-me. Prefiro morrer”, disparou o antigo jogador, sem nunca dizer o nome de Materazzi. “Se lhe dissesse ‘perdão’ estaria a admitir que o que ele fez foi normal. E para mim não foi normal”, frisou.
A honra ofendida tem muita força.
Para gente como Zidane.