Que professor não ouviu um colega dizer: quando o C. falta é um sossego.
Quem não ouviu um pai ou uma mãe dizer: não está sossegado nem um minuto, nunca mais começa a escola.
A agitação das crianças, às vezes, é demasiada e os adultos não conseguem fazer o que querem. Os professores não conseguem “dar as aulas” e os pais ficam exaustos com tanta movimentação…
Crescer é sempre difícil, educar é sempre difícil, mudar a nossa maneira de estar por causa da criança “que parece que faz de propósito” é muito difícil.
A partir do momento em que o bebé se aninha no nosso colo, pela primeira vez, começam os momentos em que ele e o adulto têm que regular o seu tempo e o seu comportamento tendo em atenção o outro.
Por vezes a criança apresenta comportamentos que não se adaptam nem à vida familiar nem à vida na escola. Tornam-se agitadas, têm dificuldade em estar quietas ou para parar de falar, não conseguem concentrar-se durante uma actividade mais demorada, distraem-se com facilidade com os estímulos exteriores ou com os seus próprios pensamentos…
Muitas vezes são meninos com boas capacidades de aprendizagem, mas nas escolas não há medidas de inclusão para estas crianças. Realizam os trabalhos em pouco tempo,
não conseguem seguir o ritmo da turma porque já fizeram o que os outros ainda estão a fazer.
Começam por ficar vaidosos porque acabam primeiro do que os colegas, mas nada muda nas estratégias pedagógicas e elas começam por fazer tudo de qualquer maneira, sem interesse, sem gosto, sem estímulos exteriores que as façam progredir.
Ao mesmo tempo em que tudo isto se passa começam a ser alvo de alcunhas, de encontrões e de risotas por parte dos colegas.
Os seus maiores estímulos são os que têm dentro de si e, por isso, parecem estar ausentes. Não, não estão, foram empurrados para entrarem no seu mundo e assim rejeitarem o que lhes é pedido, ou seja, atenção e concentração.
Não é de propósito.
Uma criança Hiperativa não se pode concentrar e organizar só porque o adulto assim o deseja, é a mesma coisa que pedir a uma criança para correr quando ela ainda não sabe andar.
A Hiperatividade das crianças (também há adultos hiperactivos) não é um comportamento indisciplinado resultante da educação dada pelos pais nem da falta de estratégias pedagógicas da escola.
A Hiperatividade é uma condição física que se caracteriza pelo sub-desenvolvimento e mau funcionamento de certas partes do cérebro. Existe uma menor e menos eficaz atividade elétrica, há uma diminuição da circulação sanguínea no cérebro.
A desatenção ou distração e a impulsividade não são compatíveis com aquilo que a sociedade espera delas.
Para “normalizar” as crianças hiperactivas tem-se consumido em Portugal, e cada vez mais, um medicamento chamado Ritalina cujas consequências futuras poderão ser piores do que a hiperactividade.
“É na pessoa, no caminho que ela vai construindo, que o futuro duma criança a crescer terá de mirar-se, observar-se e dialogar-se, não através de injecção de medicamentos ou de artifícios ocasionais.” por Jaime Milheiro, Médico Psiquiatra/Psicanalista
Em Portugal há um excessivo consumo de Ritalina que é o medicamento mais receitado pelos médicos para tratar crianças hiperactivas.
Como todos os medicamentos tem efeitos secundários tanto físicos como psicológicos e emocionais.
Pela quantidade de crianças que tomam Ritalina temos que ponderar que tipo de criança queremos quando adultos. Adultos que não sabem disciplinar-se e por isso reagem pela impulsividade e não pelo bom senso?

