
Com o Manuel Simões e o Júlio Estudante, criámos em Tomar onde na altura eu trabalhava e vivia, uma pequena editora, a Nova Realidade. O projecto nascera no ócio de um café de Buarcos, onde estávamos naquele Agosto (de 1966?) a passar férias. Recordo uma visita que fizemos ao Joaquim Namorado e da preciosa ajuda que ele nos deu, fornecendo-nos contactos que muito nos ajudaram.
O Manuel trabalhava e estudava em Coimbra e foi aí que (creio que através do Rui Mendes) soube da intenção do Zeca de editar uma colectânea com letras das suas canções. Nesta altura, o tal jovem cantor de que Edmundo Bettencourt me falara no Restauração, já era conhecido. Quando em 1965 estive preso no Aljube e nos Redutos Norte e Sul de Caxias, já muitas das suas composições eram cantadas pelos estudantes presos. Por isso, iniciar a actividade da Nova Realidade com um livro do Zeca logo nos pareceu uma entrada com o pé direito, embora o projecto fosse de esquerda.
E os «Cantares» foram um êxito retumbante.
Além de duas edições que se esgotaram rapidamente, publicámos em 1970, um segundo livro – «Cantar de Novo». Portanto, o Zeca conhecia-me de nome, até porque no final de 1967 publiquei «A Voz e o Sangue» e em 1968, quando da saída da segunda edição, o livro foi apreendido e eu preso. O caso foi comentado e num almoço, anos mais tarde (de que falarei adiante, o Zeca soubera).
Mas nunca nos encontrámos pessoalmente.
