A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
As relações entre Portugal e a Flandres eram boas porque se baseavam não nos ocos princípios e frases bem-sonantes que enchiam os tratados políticos, mas num comezinho interesse comercial, num fluxo de trocas verificado nos dois sentidos. Cerca de meio-século antes (entre 1436 e 1445), o duque de Borgonha, Filipe, o Bom, mandou construir em Bruges um estaleiro naval para fazer face ao esforço de guerra no mar que agora se lhe deparava. Esse estaleiro foi montado e mantido por especialistas portugueses, sobretudo carpinteiros navais. El-rei D. Duarte, fazendo tábua rasa do Tratado de Windsor, que o impedia de prestar auxílio militar a potências terceiras sem o conhecimento de Inglaterra – e não esqueçamos que a Flandres era tributária e aliada da França, inimiga na terra e no mar de Inglaterra – enviou para a Flandres cerca de cem especialistas em construção naval, na sua maioria mestres portugueses (carpinteiros, calafates, petintais, etc.). Ali construíram uma galé e algumas caravelas de diversas tonelagens. A ajuda portuguesa permitiu ainda construir diversos navios em Bruxelas e Antuérpia.