EDITORIAL – QUANDO TEREMOS A NOVA CGD?

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Claro que a escolha de quem dirige a CGD – Caixa Geral de Depósitos é fundamental. Mas esta constatação não impede outra: a de que todo este processo de escolha de directores, que se arrasta já vai para um ano, é excessivo, traumático e lamentável (não são adjectivos a mais). Mas porquê isto tudo? Porque obviamente se quis escolher uma direcção que agradasse à alta finança e às altas esferas da organização europeia e internacional. E que simultaneamente encaminhasse a CGD para um caminho um tanto diferente do que o tem tido até hoje, o de assegurar um apoio efectivo a uma economia tão depauperada como a portuguesa, quando até agora tem servido sobretudo para pôr as poupanças dos portugueses à disposição do grande capital (basta ver o crédito mal parado, que está a pôr em risco o equilíbrio da instituição). Claro que as funções tradicionais, melhor dito, os agentes dessas funções, têm tentado, e vão continuar a tentar, manter o seu predomínio na CGD, até porque parece apontar-se para o banco público (pensa-se que continuará a sê-lo) ter um papel cada vez mais decisivo na vida do país, no meio do drama pavoroso que é a chamada integração europeia.

A integração europeia neste momento consiste sobretudo na integração bancária e financeira. E esta consiste sobretudo na absorção das unidades mais fracas do sistema bancário e financeiro (que são claro, a maior parte) por algumas mais poderosas, seleccionadas por critérios pouco compatíveis com a necessária recuperação económica (e não só) de países como Portugal. Se se quer que a CGD seja uma unidade actuante e decisiva na via dessa recuperação, a tal nova direcção terá de ser rapidamente escolhida, e por métodos totalmente diferentes dos usados até agora.

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