SINAIS DE FOGO – GARNISÉ DE “PIN” – por Soares Novais

 sinais de fogo

 

A pequena rua das traseiras da minha casa, que tem forma de rectângulo e não tem saída, tem conhecido grande alvoroço. Tudo por culpa de um garnisé que passa os dias a barafustar. Contra tudo e contra todos.

Contra o galo-mor. Contra os galos-juízes que o acusam de varrer o milho da caixinha geral para debaixo do galinheiro. Contra toda as galinhas e todos os galos que se fartaram das suas diabruras e o mandaram fazer companhia a todas e a todos aqueles que, por mais que tentem, nunca deixam de ser garnisés.

Resultado: ele amuou e agora anda rua acima rua abaixo feito barata-tonta. O coitadito pôe-se em bico de patas, cacareja grosso, ergue a cabecita, que agora é adornada com uns óculos “à intelectual”, usa “pin” na fatiota e gravata azul celeste, pois tem a esperança que o confundam com um garnisé com préstimo e voltem a colocá-lo no poleiro.

Mas todas as fiteirices que faz já pouco ou nada lhe valem. Por isso temo o pior para o garnisé. Acresce que a sua cristita está cada vez mais murcha e poucos lhe ligam. Mesmo os garnisés da sua família. Mesmo aquele que aparece todos os domingos na tevê com ar de galarote sabichão.

Já ninguém o leva a sério, pois. E há velhos garnisés que rezam todos os dias – “um bocadinho” como profetizou o Jesus de Alvalade, após a tragédia aérea na Colômbia –  para que ele ganhe vergonha e vá cacarejar para outra freguesia…

É que, dizem, o garnisé do “pin” está a lesar gravemente os interesses de quem sempre esteve ao serviço das galinhas e dos galos de crista e porte imperial.

Não porque o garnisé do “pin” seja um Robin dos Bosques, mas porque os miolitos da sua cabecita são fraquitos, muito fraquitos. Tanto que fazem do galaroz que se reformou em Março uma espécie de génio da lâmpada.

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