CARTA DE VENEZA – VENEZA E A COLUNA PERDIDA – por Vanessa Castagna

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(fotomontagem)

Muito além das aventuras cinematográficas de Indiana Jones – que também passou por cá e teve direito à igreja de San Barnaba transformada em biblioteca para a rodagem da sua “última cruzada” – Veneza ainda tem tesouros arqueológicos por caçar, cuja consistência e localização se ofuscam entre dados históricos e lendários. A atmosfera mágica, afinal, continua a envolver este lugar encantado.

Quem conhece a cidade, facilmente associa a praceta de São Marcos à imagem inconfundível das duas colunas de mármore e granito que se erguem uma ao lado da outra, sustendo respetivamente São Teodoro, padroeiro da cidade até 828, e o leão alado que simboliza o evangelista São Marcos, cujas relíquias foram transladadas para Veneza nessa mesma data. Sabe-se que as duas colunas, chegadas de Constantinopla em 1172, ficaram deitadas no chão durante muito tempo, porque eram tão pesadas que ninguém sabia como levantá-las. Quem conseguiu na façanha foi o mestre Nicolò Barattiere, natural da zona de Bérgamo, que surpreendeu os seus contemporâneos com um grande empreendimento de engenharia.

As colunas, no entanto, na verdade eram três; mas uma delas caiu ao mar durante as operações de desembarque e nunca mais foi recuperada. Hoje, ao cabo de nove séculos, há quem se proponha resgatá-la: o capitão e mergulhador Roberto Padoan pretende encontrá-la, após ter realizado algumas pesquisas que o levam a crer que a coluna poderá encontrar-se ainda submersa em frente ao cais, a poucas centenas de metros da praça e a uma dezena de metros de profundidade, juntamente com a estátua que a acompanhava (provavelmente a figura de um oficial do exército bizantino).

Aguardam-se agora as autorizações da Superintendência veneziana e da administração municipal para realizar, com o apoio técnico de duas empresas especializadas, um estudo não invasivo capaz de esclarecer se realmente a coluna jaz onde as fontes históricas testemunham que caiu. Seria um achado extraordinário, cuja recuperação exigiria um grande esforço financeiro e generosos patrocinadores. Voltaria a colocar-se, também, o problema de como extrair, movimentar e levantar um artefacto tão pesado, num espaço tão peculiar. Fica, por enquanto, o desejo de resgate de um passado lendário.

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