PISA 2015 por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

O anterior Ministro da Educação considera que a exigência que pediu às escolas foi o que tornou possível os resultados do PISA 2015!

O sucesso que a escola teve não pertence a ninguém em exclusivo, pertence sim a quem nela trabalhou. Sim, trabalhou e a que custo? Sem os apoios necessários para cumprir cabalmente o seu papel na escola, em todos os seus domínios.

“Dar mais a quem tem menos” não significa dar só bens materiais, mas acima de tudo, criar as condições necessárias para uma boa aprendizagem

Os resultados surgiram do trabalho de muitos alunos, de muitos professores, de muitos pais e de alguma legislação produzida há já vários anos.

Lamento dizê-lo, mas não foi o anterior Ministro de Educação o chefe de orquestra do anterior ano lectivo.

A comunidade educativa congratula-se, sem dúvida, pelos resultados obtidos pelos alunos no seu desempenho escolar.

Os alunos portugueses colaboram desde 2000 em avaliações comparativas com os alunos de outros países da OCDE.

No primeiro ano, 2000, o desânimo foi grande entre os professores, alunos, escolas, mas uma coisa é certa, nunca mais a escola foi a mesma. A escola fez projectos, análises ao que era e como era transmitido o conhecimento, à organização escolar, aos horários, ao número de adultos nas escolas, ao número de alunos por turma, ao direito ao ensino especial, à participação dos pais na vida escolar dos seus filhos, à participação da comunidade educativa.

Na edição do PISA 2015, os alunos portugueses melhoram os resultados em todas as áreas (Matemática, Leitura e Ciências), confirmando a consistência da evolução positiva dos resultados em Portugal que se verifica desde 2000.

Não posso acreditar que alguém seja capaz de avaliar um sistema educativo baseado, apenas, em resultados convertíveis em números e percentagens.

Como foram avaliados outros projectos que eram acompanhados pelo M.E.? Não mostravam eles, também, uma tendência a melhorar os resultados escolares? Estou a falar dos esquecidos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Neste Projecto era avaliado o sistema de ensino, incluindo os comportamentos e a participação dos pais e da comunidade.

Há quem diga que os TEIP era focalizado nas zonas mais pobres, com maior índice de analfabetismo nos adultos, com elevado índice de violência, como se esta selecção fosse estigmatizante e votada ao fracasso.

Por experiência própria faço algumas críticas, mas os elogios que posso fazer superam as críticas, este projecto não esteve votado ao fracasso!

Muitos professores ficavam colocados na mesma escola porque trabalhavam numa escola TEIP e tinham aceite este desafio.

A avaliação dos alunos era contínua, numa perspectiva de ciclo e não de ano, por isso uma melhor atenção aos alunos era possível. As turmas tinham menos alunos, os pais começaram a ir mais à escola (às vezes aos gritos).

Os professores tiveram formação também no âmbito multicultural.

Costuma-se dizer “o que lá vai, lá vai”, mas isso não se aplica nesta reflexão porque a aprendizagem é um processo contínuo e se a continuidade for quebrada pode por em risco o sucesso dos alunos.

As crianças e jovens portugueses não merecem ser tratados como números, mas sim como cidadãos. Onde está a aprendizagem da cidadania, onde está a autonomia na aprendizagem?

Quando vejo pais, professores e alunos a estudar para a chapa 24 dos exercícios de avaliação fico perplexa porque esta atitude mostra bem como é encarada a aprendizagem…

 

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