Uma Análise das forças geradoras do tsunami económico e social presente a partir do seu epicentro, os Estados Unidos – A distribuição da riqueza e os dois malthusianismos

Selecção de Júlio Marques Mota

Revisão de Francisco Tavares

Uma Análise das forças geradoras do tsunami económico e social presente a partir do seu epicentro, os Estados Unidos

Uma série de 8 textos

(TEXTO VIII) A distribuição da riqueza e os dois malthusianismos

 

Nós levantamos a questão do malthusianismo das famílias americanas dos 10% mais ricos. A partilha de uma riqueza torna-se malthusiana quando esta riqueza é partilhada cada vez mais desigualmente. A riqueza pode aumentar em volume, não obstante a sua distribuição pode cada vez ser mais desigual.

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Esta distribuição é fortemente desigual, em parte como nós o sublinhámos frequentemente. Não é por conseguinte útil refazer os comentários deste gráfico. Recordaremos simplesmente que AGI1 é a soma dos rendimentos declarados.

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A distribuição da riqueza revela-se também fortemente desigual em valor real (preços constantes). O rendimento real das classes populares (azul) reduz-se. O rendimento das classes médias cai após ter aumentado para uma parte delas, os rendimentos das classes médias superiores (a negro) estagnam desde a crise. Somente as classes abastadas (cinzento) e ricas (vermelho) aumentam o seu rendimento quer em percentagem do rendimento global quer em valor absoluto com variações à alta e à baixa que estão ligadas à crise.

A distribuição – em termos relativos e em valor absoluto – traduz uma lógica malthusiana que é cada vez mais desigual. A riqueza produzida aumenta em valor mas alguns recebem cada vez menos em valor absoluto à maneira dos convivas de uma refeição que ficariam sempre menos bens alimentados.

Estas conclusões são menos claras se não se tiver em conta os rendimentos de transferência que tendem a corrigir parcialmente o aumento das desigualdades de rendimento verificadas através do IRS.

Na medida em que a riqueza se concentra cada vez mais nas mãos dos 10% mais ricos , temos pois uma lógica malthusiana evidente debaixo dos nossos olhos que favorece essencialmente 10% da população americana.

A questão que nós levantamos a concluir esta série de textos é a seguinte: Os 10% mais ricos constituem eles um grupo radicalmente malthusiano? Este radicalismo suporia que este grupo concentra a riqueza entre as mãos de uma fração cada vez mais reduzida em número de americanos muito abastados ou ricos?

Da resposta a esta questão podem-se tirar respostas muito diferentes sobre as relações entre o grupo dos 10% mais ricos e o resto da sociedade.

Malthusianismo radical implica que os privilegiados estão em fase de reação aguda: separados do resto da população, sempre menos numerosos, a defesa dos seus interesses pode apenas assumir uma forma cada vez mais regressiva. O grupo fecha-se sobre si-próprio, perde base social, deixa de se renovar e acaba por confundir os seus interesses – sempre mais estreitos – com os da coletividade. São excluídos então todo e qualquer pensamento diferente e são promovidas as reflexões que servem docilmente os seus interesses. A reação é em função do grau de isolamento e da recusa peremptória de qualquer evolução; é o caráter unilateral dos pontos de vista e dos limites das práticas políticas autorizadas que podem conduzir um grupo social radicalmente malthusiano para o autoritarismo. Este autoritarismo reveste a forma de uma vontade reacionária de vergar a sociedade à vontade de uma elite restrita, daí que todas as aventuras são então possíveis

Em contrapartida, uma desigualdade simplesmente crescente fará do grupo dos 10% de topo um grupo de ideias muito conservadoras. O neoliberalismo dos últimos trinta anos constitui o exemplo evidente desta evolução. Não é por conseguinte necessário continuar a desenvolver as nossas ideias, uma lista dos clichés conservadores é suficiente: o enriquecimento das minorias que trazem benefícios para todos, a sacrossanta figura do empresário-inovador, a eficácia dos mercados, o anti fiscalismo, são algumas das ideias comuns do grupo dos 10% de topo, ideias conservadoras, portanto. O grupo dos 10% de topo, por pouco que permaneça aberto, não será um grupo perigosamente reacionário: sê-lo-á, mediocremente.

A – As declarações fiscais AGI

1° Balanço geral

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Incontestavelmente, o número de declarações fiscais revela tendências complexas. As declarações fiscais das classes populares evoluíram à baixa para os menos ricos de entre eles (Azul claro, azul médio). É necessário estarmos atentos ao facto de que esta passagem não significa um enriquecimento. Os limiares são com efeito nominais e não têm em conta a inflação que os baixou de um terço em valor real entre 1993 e 2011.

As declarações das classes populares superiores (Azul escuro) e das classes médias (verde) permaneceram estáveis com partes relativas de rendimento e volumes de valores reais a descerem. Estes americanos por conseguinte empobreceram.

As classes médias superiores (preto tracejado) estagnaram desde 2005-2006. Com uma fraca progressão do seu salário real, empobreceram após a crise do ano 2000. Somente as classes abastadas (negro tracejado contínuo) e as ricas (Vermelho contínuo, travessão e picotado) aumentaram fortemente o seu número de declarações.

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A percentagem de declarações de gente abastada (Preto) mostra que o sistema de distribuição do rendimento nos EUA não se tornou radicalmente malthusiano para esta franja privilegia da população. O mesmo se passa com as pessoas ricas que ganham entre 200.000 e 1 Milhão de $. Esta percentagem das declarações fiscais não deixou de estar a aumentar.

Para os super ricos (AGI de mais de um milhão de $), a tendência é a mesma.

Não se assiste por conseguinte nos EUA a uma tendência para uma radicalização malthusiana da distribuição do rendimento entre um número de declarantes fiscais sempre mais pequeno de ricos e um número sempre em número mais elevado de americanos afetados negativamente no seu rendimento.

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O número de declarações fiscais permite termos a medida do crescimento relativamente forte das pessoas que pertencem às categorias privilegiadas da população americana. Este número seria sem dúvida mais fraco se as declarações fiscais de 100.000 – 200.000 $ de AGI não tivessem o defeito de integrar uma fração das classes médias superiores.

O que se pode por conseguinte dizer é que o sistema americano teve êxito em concentrar partes crescentes de valor entre mãos que continuam a ser sempre mais numerosas. [NT. Esta frase parece ser um pouco equívoca, uma vez que os dois decis de topo, são apresentados como mais numerosos. A explicação tem a ver, na nossa opinião, por um lado com o aumento da população o que permite que o número de famílias dentro destes dois decis tenha aumentado, mesmo que o acréscimo possa ser uma percentagem cada vez mais pequena relativamente ao crescimento total da população verificado. A este fenómeno acresce-se ainda a fragmentação assinalada no decil 80-90 entre a parte alta deste decil e a sua parte baixa que é já perdedora, como de resto acontece com toda a outra população]

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Para os outros americanos, é totalmente o inverso. O número de declarações fiscais continua a crescer no seu conjunto, mas são as classes médias (verde) e as classes médias superiores (cinzento) que estão ameaçadas. O número de declarações fiscais aumenta muito rapidamente, de facto, enquanto que as AGI em volume se reduzem.

B – As classes hiper-ricas

1° Crescimento proporcional

As classes dos híper ricos não sofrem de um número de declarantes muito forte.

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Este gráfico demonstra que o crescimento dos AGI em valor real é perfeitamente proporcional à progressão da percentagem de declarações dos 0,1% de topo.

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Esta proporção é reproduzida perfeitamente quando se tem em conta partes de AGI total e parte das declarações. Há partes de AGI cada vez mais importantes tomadas pelo 0,1 % de topo dos americanos mas a percentagem de declarações de AGI de mais de um milhão de $ aumenta.

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Pode-se dar uma terceira confirmação incontestável das nossas duas primeiras constatações: O número de declarantes está em linha com as AGI reais captadas pelos 01% de topo dos declarantes fiscais.

 

 

2° Evolução interna dos 0,1 de topo

As evoluções de AGI internas aos 0.1 de topo mostram uma última vez que os diferentes limiares de rendimento não alteram em nada a lógica de distribuição de AGI. As camadas superiores dos declarantes fiscais permanecem proporcionais entre elas.

C – Oligarquia conservadora – Grupo de privilégio – os 10% de topo – Classes médias – o decil 80-90 %

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Aqui vê-se que o topo dos 10% de topo não constitui em nada um grupo social em vias de se fechar. A partiu de 0,1% dos declarantes fiscais, o crescimento das componentes do 0,1% de topo não faz aparecer uma estagnação ou uma diminuição dos membros da oligarquia americana.

A nossa série de textos tende a mostrar que se trata de uma oligarquia no sentido estrito do termo. Este grupo restrito conseguiu organizar a produção, a circulação do rendimento e as cessões de ativos em seu proveito exclusivo pondo ao seu serviço todas as categorias de rendimento: rendimento salarial ou misto, rendimento de propriedade do capital sob todas as formas, MVVA.

Este grupo teve êxito em tirar partido das suas funções de comando económico no sector privado para literalmente vampirizar a produção de riqueza nos EUA. No seu topo, este grupo pode contar com puros rentistas, mas a sua dinâmica é a de ligar o capital e o trabalho para assegurar uma captação crescente de riqueza. Os rentistas puros são por conseguinte marginais.

É muito importante notar que este grupo não é reacionário. É um grupo que permanece aberto como o mostra o crescimento contínuo do número destes membros qualquer que seja os níveis de rendimento retidos. O grupo seria reacionário se se fechasse sobre si-mesmo. Neste caso o grupo estaria na situação em que a sua captação de rendimento seria fragilizada pela rarefação dos seus membros que adotariam uma mentalidade de fortaleza sitiada.

A oligarquia dos 0,1% de topo é conservadora no sentido de que não pode desejar modificar a ordem económica posta a funcionar desde há trinta anos. Para tanto, não exclui dos benefícios do sistema económico [eliminar para] as pessoas que podem aceder ao seu topo. Segue-se que há uma mistura da oligarquia que garante a sua vitalidade. Esta oligarquia é evidentemente frágil, os lugares tornam-se cada vez reduzidos à medida que se sobe na escala até ao topo. A ascensão é difícil, a queda a pique é muito rápida. Para tal, basta uma má gestão de carreira pessoal para o top dos “salários mistos” para que o alçapão se abra sob os seus pés; podendo uma má gestão de património ter os mesmos efeitos.

Os 3% de topo

Os 3% de topo foram por nós apresentados como o grupo dos atores por distinção com os participantes do grupo dos 0,1 % de topo. O grupo dos 3% de topo pode ser considerado apenas como um grupo subordinado aos muito elevados rendimentos no seio do qual se misturam obviamente outras categorias de declarantes fiscais (profissões liberais, dirigentes de empresas, ideólogos do sistema, etc.).

Este grupo é simplesmente privilegiado e o seu enriquecimento está intrinsecamente ligado à existência de uma oligarquia dirigente. O sinal característico da sua posição subordinada é o seu lugar relativamente marginal na distribuição das MVVA e em menor escala dos rendimentos da propriedade do capital.

Os 10% de topo.

Os 10% de topo propriamente dito recrutam nas categorias sociais que não constituem toda a espinha dorsal dos 10% de topo. São categorias numerosas que se distinguem por rendimentos mais fracos: quadros médios, universitários, profissões intelectuais superiores. O que faz a sua unidade, é que são solidários com a parte superior da pirâmide social contra o resto dos membros da sociedade. Com efeito, o conjunto dos mecanismos de enriquecimento que analisámos favorecem-nos.

O decil 80-90 %

Todos os dados à nossa disposição indicam uma inversão das relações de força económicas em desfavor do conjunto das classes médias. A percentagem dos declarantes das classes médias é estável ao longo do tempo enquanto que o seu rendimento total se reduz em parte. Segue-se que são eles os que estão mais expostos a “um empobrecimento relativo”. Para disso nos convencermos é suficiente examinarmos, então, a constituição da população do decil 80-90%. As classes médias (verde) ganham aí cada vez mais importância. Ao contrário, as camadas populares reduzem-se em importância nas suas componentes inferiores (azul).

O aumento relativo do número de membros das classes médias superiores (cinzento) e a sua queda do grupo dos 20 % de topo desde a crise do milénio, coloca o problema central da evolução de classes médias laminadas pelas evoluções do capitalismo americano desde há trinta anos. A crise das classes médias superiores levanta uma interrogação de fundo sobre a reorientação ideológica e política da sociedade americana.

O compromisso hegemónico dos últimos 50 anos está a ser abalado. A hegemonia cultural das classes médias superiores pressupunha que estes últimos deixavam aos 10% de topo a hegemonia económica. Esta hegemonia económica acabou por voltar-se contra o conjunto das classes médias que já não podem encontrar nas classes médias superiores um líder de opinião e um modo de vida. O conjunto das classes médias já não tem e terá cada vez menos o nível de rendimento indispensável para sustentar os valores individualistas, autonomistas, hedonistas e meritocráticos de que eles eram os apóstolos. A meritocracia desmorona-se quando se compreende como é que o salário misto e os rendimentos da propriedade do capital atuam contra as classes médias que vivem do salariado comum e dispondo de património mobiliário insignificante.

As classes médias entraram, por conseguinte, num período de incerteza. Ser-lhes-á difícil declararem-se solidárias com o grupo dos 10% de topo. As características do enriquecimento permanente dos 10% de topo implicam o declínio inexorável das classes médias. A distribuição do rendimento será cada vez mais malthusiana devido à própria forma destes modos de funcionamento que privilegiam os rendimentos do capital produtivo acaparado (salário misto), os rendimentos do capital detidos (rendimento da propriedade do capital; rendimentos mistos, juros e dividendos) e os rendimentos do capital alienado (MVVA). O conjunto dos salários mistos, dos rendimentos da propriedade do capital e das MVVA atuam à maneira de uma rosca sem-fim que faz subir o rendimento nacional americano para as camadas superiores da população.

Um grupo dos 10% de topo estruturalmente conservador deverá procurar outros parceiros e outros compromissos para assegurar a sua dominação. É difícil determinar a forma que tomarão estes compromissos e quais serão os parceiros.

Conclusão Aberta

Nós não podemos prever os efeitos políticos de uma modificação histórica das relações de classe nos EUA. As classes médias podem ser tentadas a solidarizarem-se apesar de tudo com as classes superiores. Mas os seus interesses objetivos divergem objetivamente dos interesses das classes superiores.

É-lhes tradicionalmente difícil solidarizarem-se com as classes populares de que quem querem a todo o custo distinguir-se. Esta solidariedade é ainda tanto mais difícil quanto existe nos EUA uma segmentação racial que recobre as hierarquias de rendimento. As classes médias são, antes do mais, brancas e/ou caucasianas.

As classes médias tornaram-se o elo fraco do sistema político e cultural americano. A sua evolução é à presente data imprevisível. Esta imprevisibilidade é acentuada pelos limites estatísticos mostrados nesta série de textos.

Os dados IRS têm por característica subestimar os rendimentos da propriedade do capital e os rendimentos de transferências não tributáveis. A questão que pode ser posta é então a seguinte: será que os rendimentos de transferências poderão diferir o declínio das classes médias? É, do nosso ponto de vista, muito pouco provável por razões elementares: seria necessário praticar reformas contrárias às regras básicas do sistema e das suas evoluções desde há trinta anos.

Uma primeira transformação consistiria em agir sobre a fonte das desigualdades salariais entre salários comuns e mistos. Para os assalariados comuns, seria necessário reformar o mercado do trabalho oferecendo maiores garantias aos trabalhadores (direitos sindicais reforçados, subsídio de desemprego com outra duração bem mais longa e melhor nível de compensação), seria necessário também pôr em prática uma revalorização dos mínimos salariais. Esta orientação não seria prejudicial à competitividade do país desde que se verifique a tomada de medidas no plano jurídico para reduzir os salários mistos.

É uma fantasia política/miragem e tanto mais utópica quanto a redistribuição de poder de compra para 80% da população pela via da revalorização dos salários comuns aumentaria rapidamente o défice comercial com o risco de ameaçar o dólar. Seria necessário então taxar as importações e re-industrializar o país. Mas isto é o fim da globalização liberal e das pressões à baixa dos salários intensificando os fatores nacionais de baixa dos salários reais comuns. É também uma máquina de recuar no tempo pouco credível. O aumento recente do mínimo horário nos EUA não nos deve criar nenhuma ilusão…

Poder-se-ia preferir um outro cenário que consiste em aumentar as transferências públicas fiscalizando cada vez mais os rendimentos elevados. Seria necessário por conseguinte taxar mais fortemente os salários mistos, os rendimentos da propriedade do capital e sobretudo as MVVA que são fundamentais no alargamento das desigualdades de rendimento. O problema que põe esta política é duplo. Caminhar neste sentido, é aumentar a carga fiscal dos mais ricos sem, no entanto, suprimir os mecanismos do seu enriquecimento. É por conseguinte tratar dos sintomas ou efeitos de uma doença sem estar a tratar essa mesma doença nas suas causas, nas suas raízes.

Esta maneira de proceder levanta ainda outro problema: tratar os efeitos de uma doença sem estar a tratar das suas causas é, com efeito, não estar a fazer nada. Um debate público sobre o restabelecimento da justiça económica através de uma grande revolução fiscal seria o sinal que nada de sério se quer que seja feito. De resto como esperar fazer reformas contra uma fortíssima minoria de americanos que dispõem das alavancas do poder económico, financeiro, ideológico e político

A questão do futuro das classes médias deixa por conseguinte aberta uma perspetiva política que não deverá ser colmatada por nenhuma solução alternativa credível. Está na lógica das evoluções da administração Obama desde a sua entrada em funções. Esta administração jogou a cartada do salvamento do sistema e da manutenção do status quo.

No fim do mandato da Administração Obama, o empobrecimento relativo da maior parte da população americana continua na ordem do dia. O grupo dos contribuintes pertencentes aos 10% dos americanos mais ricos sai da crise captando sempre uma maior parte da riqueza criada. A economia americana assemelha-se por conseguinte a um birreator em que um dos motores funcionaria a grande velocidade enquanto o outro funcionaria lentamente. Por conseguinte o avião voa menos rapidamente e a sua estabilidade é incerta.

A dependência das famílias dos 10% mais ricos face às evoluções do valor do seu património financeiro dependerá do bom comportamento das bolsas cuja valorização deve muito, mas mesmo muito, às políticas QE do FED e muito pouco ao desempenho da economia real; tanto quanto os patrimónios financeiros se valorizarem, as famílias das 10% de topo consumirão fortemente.

Os americanos da parte baixa dos 80% continuarão a ver o seu rendimento ameaçado enquanto que a perda de confiança no valor do seu património imobiliário se traduzirá por um desendividamento hipotecário contínuo. Este segundo motor do crescimento terá por conseguinte um rendimento medíocre sobre o nível de consumo. Uma prova? A fraca inflação dos preços aos EUA e o bom comportamento do comércio externo cujo défice é historicamente baixo.

A futura crise deverá pois ser a consequência de um acidente bolsista grave sobre um pano de fundo de fragilidade geral e das finanças públicas (FED + Tesouro) já altamente alavancadas.

Onubre Einz, VII – La distribution de richesse et les deux malthusianismes (fin). Texto disponível em:_ http://criseusa.blog.lemonde.fr/2016/01/15/vii-la-distribution-de-richesse-et-les-deux-malthusianismes-fin/

 

1 Nota de Tradutor. Agi-.Adjusted Gross Income

Alguns comentários sobre os textos obtidos no blog de Onubre Einz

Alguns comentários à secção VII – A distribuição da riqueza e os dois maltusianismos

  1. Obrigado novamente por este excelente artigo. Dito isto, ” poder-se-ia preferir outro cenário consistente para aumentar as transferências públicas fiscalizando mais e mais os rendimentos elevados. Deve-se pois tributar mais pesado os salários mistos, os rendimentos de propriedade do capital e especialmente as MVVA que são peça fundamental no crescimento da desigualdade de rendimento. O problema com esta política é duplo. Ir neste sentido é aumentar a carga tributária dos mais ricos, sem contudo tocar nos mecanismos geradores do seu enriquecimento. Portanto, isto resume-se a tratar um mal sem se tratar das suas próprias causas. “Eu venho-lhe pedir a confirmação:

Roosevelt tinha FEITO isso bem, no período 1929-39. Não…

Escrito por Yvan –Dia 03 Março de 2016

Resposta :

Tinha havido o colapso económico e a crise aguda do liberalismo, Tais condições só se desenvolveram após 2007-2008. Deve-se também insistir no facto de que o consumo em massa poderia conduzir ao crescimento, hoje os mercados estão saturados, ao lado de um sub-consumo de massa. Faço uma pausa para pensar sobre isso. Obrigado pelo seu comentário.

Escrito por : criseusa | 17 julho de 2016

2. Muito obrigado pelo seu excelente trabalho e por este último texto da série que é mesmo muito esclarecedor. Porque não considerar a publicação de um livro, um texto sintético, retomando todas estas suas análises para serem utilizadas por um leitor leigo e, quem sabe, se também para os nossos decisores em política económica ?

Escrito por Bercherie | 7 Março de 2016

3. Muito obrigado pelo seu trabalho e pela sua partilha. A este respeito, interrogo-me se estamos perante uma plutocracia e em que a defesa dos interesses desta casta pode assumir uma forma muito repressiva. Neste sentido, um poder em exercício precisa de uma polícia ou de uma força militar para garantir a proteção desses interesses. Haverá nos Estados Unidos sinais claros de um reforço policial ou militar, por exemplo, para conter possíveis manifestações?

Escrito por Claude, no dia 8 de Março de 2016

Resposta :

De momento a única ameaça é representada pelo voto de uma fração dos americanos cujo voto é imprevisível. A cólera da classe média americana, laminada economicamente, assume a forma de Trump. Direi alguma coisa, mais tarde.

Resposta de criseusa | no dia 17 de Março de 2016

 

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