EDITORIAL – Uma máquina perfeita

 Geringonça” foi eleita a Palavra do Ano, com 35% dos cerca de 28.000 votos expressos, anunciou esta manhã a Porto Editora, promotora da iniciativa.

logo editorialFaz hoje 98 anos, foi fundado o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores AlemãesNationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – NSDAP), popularmente conhecido como Partido Nazi.  foi um partido de extrema-direita alemão onde pontificava um pinta-monos austríaco que era capaz de ladrar durante horas. Um encanto, um circo onde. além da tal atracção do homem que ladra, havia palhaços sinistros, saídos de um pesadelo. Na sua genealogia encontramos o DAP Partido dos Trabalhadores alemães- Não foi uma «geringonça» – ali havia ordem – não era uma maquineta com buracos tapados com pastilha elástica, nem arames ferrugentos a substituir parafusos e coisas assim – um mecanismo de relojoaria, bem oleado – apesar de ser coisa tosca, imprópria para gerir uma democracia. O NSDAP  era uma verdadeira máquina  – o Dr. Paulo Portas havia de gostar.  

Foi o Dr. Paulo Portas, ex-líder do CDS, que encontrou a palavra (caída em desuso) para designar o  Governo, liderado pelo Dr. António Costa e que se foi generalizando como designação da «maioria de esquerda» na Assembleia da República: o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista “Os Verdes”. Portas podia ter optado por um sinónimo de «geringonça» – o  substantivo masculino «zingarelho». Mas «geringonça» não está mal.

Afinal, como diz o poeta, somos filhos do sarilho no gesto desmesurado nos cordéis do desenrasca.

Portas foi líder de um partido onde ecoam ainda acordes do «lá vamos cantando e rindo», coisa organizada (embora não tanto como o NSDAP, que metodicamente provocou a morte de dezena de milhões de seres humanos, sem admitir peixeiradas como as  da Heloísa Apolónia…).

O nosso blogue não assume a defesa da «geringonça» – até há entre nós quem não aceite o regime parlamentar e considere o sistema politico pelo qual somos supostamente governados como antidemocrático. Mas prefere a «geringonça» a parlamentos dominados pelos filhos e netos da piolhagem verde que macaqueou o Partido Nazi, que hoje acende 98 velas num bolo de cianeto.

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