A CRISE DA FINANÇA – O CASO ITALIANO – 3. MONTE DEI PASCHI, A LINHA DURA DA ALEMANHA QUANTO À INTERVENÇÃO ESTATAL, de IL FATTO QUOTIDIANO

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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Monte dei Paschi, a linha dura da Alemanha quanto à intervenção estatal

Il Fatto Quotidiano, Monte dei Paschi, la linea dura della Germania sull’intervento dello Stato

27 de Dezembro de 2016

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di F. Q. | 27 Dezembro de 2016

Primeiras flechas oficiais sobre o resgate público do banco de Siena: “Considere-se a hipótese de liquidação.” Fortemente convidada a fazer parte, para além do resgate interno, está a dívida pública italiana. Angeloni (BCE): “A contribuição do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira é uma possibilidade, mas tem implicações técnicas e políticas diferentes do caminho escolhido até agora por Roma”

Há sinais de alta tensão pela primeira vez em Roma a partir do caso Monte dei Paschi di Siena. Não é só a exigência de capital novo adicional que vem do BCE. A partir« da Alemanha, o verdadeiro precursor dos falcões europeus, chegam declarações que não deixam nenhuma esperança para o destino do processo sobre o banco de Siena e estas declarações são em cascata sobre as relações entre o executivo Gentiloni e Bruxelas. Convidado de pedra no processo, digamos, está a dívida pública italiana. A procissão ainda agora só vai no adro, aguardando-se por toda a gente a verde necessária para o resgate do Instituto de Crédito Estado Toscana, para o qual o governo está a olhar e ansiosamente à espera do último minuto para evitar um resgate interno (bail in) que teria a consequências definitivamente dolorosas sobre o país. E é exatamente sobre este ponto que os desejos do governo Gentiloni podem colidir com um pontual refrescar da memória quanto às regras do jogo que vem do norte da zona euro, da Alemanha, mais precisamente.

“Há muitas perguntas que até agora não tiveram resposta”, manda dizer a Roma Jens Weidmann, o número um do Bundesbank e membro do conselho de administração do BCE. “Por uma questão de princípio nós estabelecemos novas regras, especialmente para proteger os contribuintes e atribuir a responsabilidade aos investidores. Os dinheiros públicos são disponibilizados mas sempre um último recurso, para que a barra esteja alta o “, diz o presidente do banco central alemão, em entrevista ao jornal Bild. Em termos concretos, isto significa que “o banco deve ser financeiramente sólido a nível de Tier One” e “o dinheiro não pode ser usado para cobrir as perdas que já estão previstas.” E tudo isso deve “ainda ser cuidadosamente provado.” Se “apesar de tudo o dinheiro publico for utilizado no Monte Paschi, por causa da dívida italiana isso deve ser sempre contrafinanciado”. Uma frase ambígua, esta última frase, o que abre espaço para outras questões sem resposta, por agora sem resposta, como por exemplo, quais são as expectativas dos parceiros europeus relativamente as necessidades de financiamento da nova dívida que a Itália se prepara para contratar de modo a resgatr o banco de Siena.

A posição agora expressa não ajuda a tirar as dúvidas diz-nos em Ansa Isabel Schnabel, membro do Conselho de Peritos Económicos da Alemanha (os chamados “cinco sábios”), segundo os quais os “supervisores devem verificar cuidadosamente se o Mps deve ser liquidado gradualmente”. De acordo com o economista “tendo em conta os problemas profundos do Mps, alguém poderia perguntar se uma recapitalização por precaução é realmente apropriada”. Caso contrário, “o dinheiro dos contribuintes podia ser desperdiçado. Além disso, qualquer injeção de fundos públicos deve evitar que o governo assuma o controle e inicie assim uma grande reestruturação da banca “. Mais geralmente, “é necessário realizar uma limpeza profunda do sistema bancário italiano: os bancos insolventes devem ser fechados, os bancos vitais devem ser recapitalizados.”

Mais otimista está Ignazio Angeloni, membro do Conselho Fiscal do BCE, que entrevistado por La Stampa parece não ver erros na atitude de Roma. Mas não consegue encontrar uma resposta à questão que até agora permanece implícita sobre as avaliações intercalares que Bruxelas poderia fazer sobre os 20 mil milhões de nova dívida pública que ao resgate seriam afetados. “É difícil que a Comissão não aborde a questão quando chegar a altura de analisar as contas de Itália. Sobre a mesa está também a possibilidade de obter o apoio da Europa e do FEEF. É uma abordagem viável? “pergunta o entrevistador. “É uma das possibilidades previstas pela regulamentação Europeia e tem implicações técnicas e políticas diferentes do caminho escolhido até agora pelo governo”, é o que se limita a responder. Para recordarmos que, no fundo, a Espanha que escolheu o caminho da ajuda da UE em 2012 teve “bons resultados”. E acrescentar que “do nosso ponto de vista, quanto mais alto é o nível de estabilidade fornecida pelo caminho escolhido, melhor é.”

Il Fatto QuotidianoMonte dei Paschi, la linea dura della Germania sull’intervento dello Stato. Texto disponível em:

http://www.ilfattoquotidiano.it/2016/12/27/monte-dei-paschi-la-linea-dura-della-germania-sullintervento-dello-stato/3283020/

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