

Em 15 de Janeiro de 1919, há 98 anos, foi assassinada (é esta a maneira exacta de designar o que aconteceu) uma mulher chamada Rosa Luxemburgo. As circunstâncias que rodearam a perpetração deste crime têm sido muito discutidas, mas há fortes indicações de que foi executado por ordem do governo então chefiado por Friedrich Ebert, líder do partido social-democrata alemão. Rosa Luxemburgo (1871-1919) foi morta quando tinha 47 anos, após uma vida de militância política intensa e deixando uma obra filosófica e política excepcional. Com ela foram assassinados muitos outros militantes, seus camaradas e companheiros. Não sendo nós defensores das vantagens de elaborar teorias de história alternativa ou imaginária, mesmo assim não podemos deixar de pôr à consideração de quem nos lê de que não será perda de tempo pensar um pouco sobre como estariam a Europa e a Alemanha, e mesmo o resto do mundo, se esta grande mulher tivesse sobrevivido, e ela e os seus camaradas tivessem tido oportunidade ao menos de continuar a explanar as suas análises e os seus ideias. Na Alemanha e no resto da Europa ainda há quem lhe preste homenagem, é verdade. Em Berlim há um monumento a recordá-la. E talvez a nossa vida fosse um pouco diferente se ela tivesse conseguido continuar o seu trabalho. Não nos levarão a mal dizermos que talvez fosse melhor. E que, pelo menos, Rosa Luxemburgo e os seus companheiros deviam ser mais recordados.
Isaac Deutscher, político e historiador polaco (1907-1967), disse sobre ela Com o seu assassinato, a Alemanha dos Hohenzollern celebra o seu último triunfo, e a Alemanha nazi, o seu primeiro. Bertolt Brecht dedicou-lhe este epitáfio:
Aqui jaz
Rosa Luxemburgo,
judia da Polónia,
vanguarda dos operários alemães,
morta por ordem dos opressores.
Oprimidos,
enterrai vossas desavenças!
Kurt Weil também se lhe referiu no Requiem por Berlim. Permitimo-nos, graças à Wikipedia, fazer uma adaptação:
A Rosa Vermelha agora já cá não está
Ela explicou aos pobres o que a vida nos traz
E por isso os ricos riscaram-na como a uma coisa má
Possa ela descansar em paz.
