A CRISE DA FINANÇA – O CASO ITALIANO – 13. TEMPOS DE CHUMBO PARA A ALTA FINANÇA. A QUEDA DO MPS – TREMONTI ACUSA MONTI (PRIMEIRA PARTE) – do FORUM INVESTIR OGGI

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota. Revisão de Francisco Tavares.

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Tempos de chumbo para a alta finança- Janeiro a Fevereiro de 2013

 A queda do MPS – Tremonti acusa Monti (Primeira Parte)

 

Forum Investir OGGI, MPS crack: Tremonti accusa Monti

23 de Janeiro de 2013

 

  1. Carta-bomba do ex-ministro das finanças Tremonti [em governos de Berlusconi] sobre o banco MPS .

  1. Além de sublinhar bem a responsabilidade de Mario Draghi (“Segundo a lei, a supervisão bancária não é feita pelo governo mas pelo Banco de Itália”), acusa o governo Monti de ter tido conhecimento da verdadeira natureza do “buraco” nas contas do banco MPS.

  1. “Isto é demonstrado pelo facto de que os altos executivos negam que haja necessidade de uma posterior intervenção estatal para cobrir as perdas, conforme informa hoje ‘Milano Finanza’ o que significa ou que Mario Monti é um vidente ou sabia…”

  1. Questão central: “porque é que o Banco de Itália e o governo não disseram imediatamente a verdade? Porque é que Monti colocou a sua assinatura num decreto que permitia as obrigações-Monti depois desta mesma norma ter sido rejeitada no Senado? E como é que o governo protegeu os pequenos acionistas que descobriram o caso pelos jornais?”

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1. MAIL DE TREMONTI. Recebemos e publicamos.

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MARIO MONTI e GIULIO TREMONTI

Caro Dago:

Li a carta nº4: “Tremonti que hoje ataca Draghi é o mesmo que, como Ministro, forneceu 1,9 mil milhões ao MPS?”. São duas coisas muito diferentes.

Os chamados títulos Tremonti eram parte de um programa europeu, aprovado em todos os detalhes pelo Comissário europeu competente, acessível a todos os bancos; quer antes quer depois era controlado na sua aplicação em cada banco pelo Banco da Itália, a entidade competente segundo a lei.

Recorde-se, em particular, que pela lei italiana a supervisão bancária não é feita pelo governo sendo reservada a competência exclusiva ao banco da Itália. Em todos os casos em que haja uma garantia do Estado; custando a 8%; constituía o vínculo de destino do valor total recebido para o financiamento de pequenas e médias empresas; era proibido aos banqueiros extraírem daí os seus bônus; finalmente teriam que ser realmente repostos nos cofres dos bancos.

De modo diverso, os títulos Monti estavam reservados apenas para Siena, sem nenhuma obrigação de financiar pequenas e médias empresas, porque este dinheiro servia para outros fins; finalmente é restituível com ”outros instrumentos financeiros”, isto é, não em dinheiro mas com papel de origem e consistência desconhecida.

O governo Monti embora conhecendo a verdade escondeu-a ao Parlamento chegando ao ponto de assinar o decreto sobre MPS. A vigilância bancária existe menos se intervém “ex post”, ou seja depois das coisas acontecerem, do que quando intervém ex-ante, impedindo as coisas de virem a acontecer. No caso, infelizmente, não houve nem prevenção nem repressão. O banco da Itália esteve, na realidade, substituído na fiscalização pelo poder judicial.

Giulio Tremonti

 2. DAGO-NOTA

O Ex-ministro das Finanças Tremonti com esta carta enfatiza as responsabilidades do banco da Itália e de Mario Draghi no caso, mas diz ainda mais: o governo estava consciente da verdadeira natureza do “buraco” nas contas do Monte dei Paschi. Isso é demonstrado pelo facto de que os responsáveis do MPS negam que haja uma necessidade de mais intervenção do governo para cobrir as perdas conforme relatado hoje pela Milano Finanza. Isto significa que Mario Monti ou é um vidente ou sabia que havia operações sobre derivados não contabilizados nos balanços anteriores do banco que tornavam necessária uma intervenção estatal no montante de 3,9 milhares de milhões de euros.

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NAPOLITANO VISCO DRAGHI

O valor foi de facto primeiramente estabelecido em 3,4 milhares de milhões e no dia 28 de Novembro de 2011 aumentada para 3,9 milhares de milhões na sequência de melhor especificação de perdas havidas “em operações financeiras estruturadas”.

Porque é que o Banco da Itália e o governo disseram a verdade imediatamente? Porque é que Monti assinou um decreto que permitia os títulos Monti, mesmo depois desta disposição ter sido recusada pelo Senado? E como é que o governo protegeu os pequenos acionistas que descobriram o caso pelos jornais?

A grande burla da Segunda República.

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Forum Investir Oggi, MPS crack: Tremonti accusa Monti, pag 1. Texto disponível em:

https://www.investireoggi.it/forums/threads/mps-crack-tremonti-accusa-monti.75098/

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