
Hoje morreu o actor cómico inglês Gorden Kaye (1941 – 2017), nascido Gordon Fitzgerald Kaye,. Teve uma carreira a jogar rugby e depois fez uma longa carreira no cinema, teatro e televisão, tornando-se mundialmente famoso a desempenhar o papel de René Artois, o dono do café de Nouvion, uma pequena cidade francesa ocupada pelos alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, na série Allo, Allo!, de David Croft, Jeremy Lloyd e Paul Adam., produzida pela BBC. De forte pendor cómico, com actores excepcionais, esta série conheceu um êxito muito grande, sem dúvida que em grande parte devido às caricaturas que faz das várias personalidades e situações nela retratadas. Dando particular destaque aos perfis geralmente atribuídos aos naturais dos vários países em conflito, começando obviamente pelos alemães, incluindo os franceses e ingleses e mesmo os italianos, as características geralmente atribuídas às várias nacionalidades são postas a ridículo, mas não só. Com um forte sentido do burlesco, passando por situações conflituais constantes, teve um grande êxito em captar a atenção e divertir, com os desmandos e fraquezas dos intervenientes. René Artois é o personagem central, uma espécie de anti-herói, que quer apenas governar a sua vida e gozá-la o melhor que possível, mas é constantemente obrigado a desempenhar o papel de herói.
Os oitenta e tal episódios da série foram estreados entre 1982 e 1992, nos anos do fim da guerra fria. Não será exagero dizer que em Allô, allô, se vê um pouco do espírito com que o público na altura contemplava a aproximação dos países europeus, e que este então se conseguia rir com as diferentes características nacionais, sempre dentro de um espírito de tolerância. Tolerância que cerca de trinta anos depois se sente muito arredada, por efeitos de troika e austeridade, e de um receio crescente do que aí vem, da própria Europa e de outras partes do mundo. Gostaríamos de estar enganados, mas é muito provável que se uma série com o mesmo espírito ou semelhante ao de Allô, allô, estreasse hoje em dia, tivesse um êxito minimamente comparável. Ao menos recordamo-la para a posteridade.
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