
Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em 27 de janeiro de 1756 em Salzburgo (Austria). Filho do compositor Leopold Mozart, desde criança demonstrou grande talento como executante sendo apresentado como menino prodígio. Muito jovem, começou a escrever duetos e pequenas composições para piano, ainda na infância.Em 1763, com apenas sete anos, fez com seu pai uma viagem por França e Inglaterra Londres, Mozart conheceu Johann Christian Bach, filho de Johann Sebastian Bach, cujas obras obtinham sucesso em toda Europa. Cerca de 1770, visitou Itália por três vezes, país onde compôs a ópera “Mitridate” que teve grande sucesso. Voltou a Salzburgo, onde trabalhou como mestre de concerto, compondo missas, sonatas de igreja e serenatas. A partir de 1780 começou a viver da renda de seus concertos, da publicação de suas obras e de aulas particulares de música. Até 1785 vive a sua melhor época. Compõe óperas de sucesso como Idomeneo (1781), O Rapto do Serralho (1782), sonatas para piano, música de câmara e concertos para piano. Em 1786 compõe a sua principal ópera, As bodas de Fígaro, com libreto do poeta italiano Lorenzo da Ponte (1749-1838). Recebe a encomenda para nova ópera- Don Giovanni”, considerada a sua grande obra; segue-se Cosi fan tute. Em 1791, compõe as duas últimas obras, as óperas A Clemência de Tito e A flauta mágica. Morre com apenas 35 anos de idade – quantas obras nos teria legado se tivesse vivido mais uns anos?
Eine kleine Nachtmusik .(Do diário de um estratega) – por Carlos Loures
Sou aquilo a que Vailland chamava um estratega do século dezassete
– aprendi a avançar retirando
a combater onde o inimigo não esteja
Por isso
mais uma vez virei pelo crepúsculo
e tu acenderás as luzes da sala
porás um disco a girar e deixaremos
que Mozart nos envolva nas suas espirais
falaremos de literatura erótica
de poesia espacialista de música serial
de informalismo holandês do que quiseres
Não descansa amor
da fome e da opressão não falarei
nem desse bairro de lata que se vê da janela
do teu décimo terceiro andar
Serei amável beberemos uísque
tiraremos Mozart que começa a incomodar
e poremos mesmo um desses discos
que não mostras aos amigos da inteligentzia
dançaremos talvez
viremos até à varanda ver as estrelas
tu nomearás as constelações
como tanto gostas de fazer
fumaremos tabaco americano
serei amável até ao fim amor
Depois quando sair pela madrugada
virei a pé até ao meu quarto de pensão
olharei o espelho quebrado sobre o lavatório
treparei pelas rugas do meu rosto
cicatrizes desta vida de estratega
fumarei um mau cigarro
e irei para a cama ler
o último número de uma revista estrangeira
e progressista.
(in A VOZ E O SANGUE, Tomar, 1+ ED. 1967)

