

Há manifestações americanas – até em aeroportos – de gente que não se revê nas mais recentes imbecilidades e filhasdaputice do Trump, acerca da sua assumida postura e sinistra política, assinada e posta em prática. Por exemplo, impedir a entrada nos States de gente de países de onde ele muito bem entende. Ou aceder à tortura como meio de atingir fins, os seus fins.
É também evidente que manifestações deste tipo contra determinadas linhas de conduta de anteriores liders da antiga União Soviética, seriam uma coisa absolutamente impensável e impossível naquela época – desculpem lá isto, ó saudosos ortodoxos daquele império – por muito boas razões (do vosso ponto de vista) que lhes assistissem.
A Democracia é isto. Tem destas coisas. Por palhaçosa que seja, ou em que triste estatuto se encontre ou se evidencie. Em que vegete, enfim. Características que não são, nunca foram caras aos saudosos pró-soviéticos, evidentemente, mas que também e por outro lado, nos permitem termos chegado aonde chegámos, a esta incoerência, a esta probabilidade de um perigo eminente de alguma guerra atómica – agora mais exequível e portátil do que nunca, com tantos bardamerdosos países capacitados para um hand maid nuclear faça-você-mesmo.
Países, muitos deles, governados por réplicas trampeanas, embora de menor envergadura e show-off, evidentemente.
Países, muitos deles, com tarados políticos ou atrasados mentais também eles eleitos por sufrágio popular, o que dá uma dimensão mais querida e democrática ao tempo que vivemos.
(Os analistas políticos e outros bem pensantes da Esquerda Básica andam preocupados com as eleições em França, Alemanha e Itália, aflitos com as horríveis possibilidades do que pode vir a acontecer, um horror (é verdade) uma Europa pior, fascista, cinzenta e sinistra, a liberdade de expressão, o Trabalho, a Informação, a livre circulação, etc., tudo isto posto em causa.
E que é que nós temos a ver com isso? E o que é que eles, esses intelectuais, têm a ver com isso, com tal possibilidade?
Expliquem-no aos eleitores e depressa, que são a grande ameaça, que são o vosso grande, maior e enorme receio…).
Parece que há um híper-capitalista mexicano qualquer decidido a fazer frente ao Trump, ao muro e ao resto, segundo soubemos. O animal está a pensar entrar na política (talvez para desanuviar, ou mesmo para entreter o tédio) e parece que está já a ter significativos apoios populares, típicos de sempre que um salvador qualquer emerge, que um messias se evidencia.
Como em França, na Itália ou na Alemanha. Ou em outros (aparentemente) civilizados países. Ou em qualquer anterior ou ulterior parte.
Eles aparecem sempre.
Porque sabem que há sempre uma parte do povo (quase sempre bastante significativa) que adere a estas merdas, possesso, encantado e cheio de fé. Ou de uma fèzada. Ou até mesmo de má fé, já que muitos daqueles gajos são manifestamente fascistóides, racistas, xenófobos, etc. e toda a gente o sabe, mas parece gostar. E capitalistas. Capitalistas a sério. Ou simplesmente políticos por conta. Têm dinheiro, poder, jornais, televisões, medias em geral, pelo seu lado e por sua conta e sabem que a publicidade e o povão estão (são) de maré. Sempre. Oh yeah. Olaré.
Alguma vez algum tipo honesto se candidataria a um lugar daqueles? Alguma vez algum tipo honesto, desconhecido e sem meios, teria alguma probabilidade de vencer? Sem o poderoso esforço dos media ao seu dispor e a seu favor?
A parte do povo americano que contribuiu para eleger aquela besta, aquela bosta, não saberia ao que ia, do que ele iria propor, fazer, ou evidenciar, como sabia (enfim, mais ou menos) da Hillary ou do Bernie Sanders?
Tiveram a informação. Dada até pelo próprio, nos seus asquerosos discursos e actuações – querem melhor? – e decidiram ainda assim nele votar. Eram todos ricos? Eram todos proprietários? Eram todos empresários?
Por imbecilidade? Por estupidez? Ou evidente má fé e concupiscência? Racismo, sempre inerente naquele povo? Ignorância popular, também ela própria do mesmo? Americanismo primário?
O gajo não enganou ninguém, suas bestas – essa é que é essa. Tomem lá e arrecadem, que é de cortiça.
Nada disto interessa. Nem o que eu penso ou escrevo, nem o que os outros escrevem ou dizem.
O gajo está lá, prontos. Obrigado meu povo.
Carlos
