“O que está em causa, no mais essencial, é o direito de ter lucro. Se tem de existir – e, assim, parece – melhor será que vá, directamente, para o Orçamento do Estado do que para a bolsa duns tantos, afinal não muitos. Numa Democracia que o seja – e não nesta burla em que somos obrigados a viver – se todos têm de ter um emprego e, por óbvio, todos têm de ter um salário já ter direito a lucro não parece que, por necessário, seja coisa decorrente da tão apregoada justiça social.
Quem tem capital com algum significado, em principio, não precisará de procurar quem queira dar-lhe emprego ; pode empregar-se a si próprio e, como assim, na lógica social mais elementar, por ter esse emprego, deve obter, como todos os demais, tão-somente, um salário. Se o capital pode dispensar a tarefa árdua de procurar emprego, em compensação deve contentar-se com a retribuição dum rendimento que nada mais deve ser que um salário.
Na Constituição, tanto quanto posso recordar – oxalá não esteja enganado – fala-se no direito à propriedade mas não naquele de ter lucro.”
“O que está em causa, no mais essencial, é o direito de ter lucro. Se tem de existir – e, assim, parece – melhor será que vá, directamente, para o Orçamento do Estado do que para a bolsa duns tantos, afinal não muitos. Numa Democracia que o seja – e não nesta burla em que somos obrigados a viver – se todos têm de ter um emprego e, por óbvio, todos têm de ter um salário já ter direito a lucro não parece que, por necessário, seja coisa decorrente da tão apregoada justiça social.
Quem tem capital com algum significado, em principio, não precisará de procurar quem queira dar-lhe emprego ; pode empregar-se a si próprio e, como assim, na lógica social mais elementar, por ter esse emprego, deve obter, como todos os demais, tão-somente, um salário. Se o capital pode dispensar a tarefa árdua de procurar emprego, em compensação deve contentar-se com a retribuição dum rendimento que nada mais deve ser que um salário.
Na Constituição, tanto quanto posso recordar – oxalá não esteja enganado – fala-se no direito à propriedade mas não naquele de ter lucro.”
Carlos Leça da Veiga