
Na prestigiosa moldura da livraria Sansoviniana, no primeiro andar da Biblioteca Nacional “Marciana”, o “Centro Internazionale della Grafica” de Veneza apresenta, até 27 de Fevereiro, as obras melhores da sua plurienal actividade. O pretexto é a doação à biblioteca do precioso volume Metropolis, um livro colectivo realizado por trezentos artistas provenientes de várias partes do mundo. As obras, arrumadas em trezentas páginas, dobradas sobre si próprias, formam uma longa sequência de sessenta metros que depois se recompõe até formar um precioso cubo, o que, precisamente, está exposto na livraria Sansoviniana. Realizado em apenas três exemplares, Metropolis já deu a volta ao mundo em várias mostras itinerantes, antes de desembarcar na Casa da Xilogravura de Rio de Janeiro e na Biblioteca “Marciana” de Veneza. O terceiro exemplar cedo retomará a sua viagem pelo mundo.
No opúsculo que introduz a mostra, reflectindo sobre o primeiro significado do termo “Metropolis”, a que se inspiraram de várias maneiras os artistas contidos no volume, Michele Emmer aí reencontra os valores e os significados da cidade-mãe, da qual se parte para ali poder voltar. Trata-se, em síntese, de uma metáfora da cidade de Veneza, suspensa sobre as águas, metrópole utópica da arte e do conhecimento. E à cidade de Veneza tem sido dedicada toda a actividade do Centro e dos seus animadores, Silvano Gosparini e Nicola Sene e seus colaboradores. Primeiro, a associação “Venezia Viva”, já activa nos anos sessenta, empenhada em afirmar as profundas raízes culturais das várias manifestações da vida em Veneza. Sucessivamente a criação do “Centro Internazionale della Grafica” no qual as pesquisas se concentram sobre as técnicas editoriais, numa tentativa de recolher e continuar a herança de Aldo Manuzio. E, com efeito, os volumes que completam a exposição de Metropolis testemunham uma cada vez maior atenção dedicada ao livro de artista como forma de arte, em que palavra e signo gráfico se completam num todo inseparável.

Trata-se de livros de arte dedicados a aspectos da história e da vida de Veneza mas também às obras de poetas nacionais e internacionais, que são depois apresentadas na livraria “Amor del Libro”, aberta há algum tempo nas proximidades da Universidade “Ca’ Foscari”. As pesquisas sobre técnicas da gravura, por sua vez, são efectuadas principalmente no “Atelier Aperto”, um espaço onde gráficos e gravadores se encontram para confrontar ideias e conhecimentos técnicos.

(tradução de Manuel Simões)
