CONTOS & CRÓNICAS – CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – A MULHER INFANTA

 

 

Estou satisfeito, ainda assim. Estou satisfeito porque afinal monarquia ainda é monarquia –  digan lo que digan.

E porquê?

Porque, apesar de uns sacanas de uns miseráveis juízes espanhóis (claramente laicos, plebeus e desconhecedores em absoluto dos valores reais) terem condenado um real cunhado a uns cinco ou seis anos de pildra, por uma ninharia qualquer, sem qualquer interesse ou impacto –  a sua esposa, a infanta dona qualquer coisa foi logo realmente absolvida, foi absorvida e safou-se.

Sabia lá ela dos negócios do seu emprendedor esposo! E (bem feita!) até se vai vingar da própria famelga que a pretendeu ignorar, no meio de todo este horrível processo monarco-jacobino-classista, do maricas do irmão e dos decrépitos e ex-tremosos pais, como só as famílias reais sabem ser: ela vem viver para Lisboa (sabiam? – aposto que não – Aleluia!) onde pacastamente aguardará que o digno, inteligente e empreendedor esposo seja afinal e penalmente suspenso, o que não deve demorar muito, tenho a certeza.

Ou estamos a brincar? Com coisas sérias? Imagine-se que o Ministério Público decidira mesmo pedir alguns 11 anos de gaiola para aquele garboso gigolô, indecentemente investigado há mais de não sei quantos anos! Um desaforo!

Mas ela aguentar-se-á, tenho a certeza, por aqui, por entre este bondoso povo  –  que não caberá em si de popular contentamento dela saber, de  a ler e de a ver, nas revistas semanais da especialidade ou em apelativos programas televisivos  –  já a babar-se, a suspirar e a salivar, incontido e expectante. Ela – poupada que é e certamente com o pequeno pé de meia que juntou entretanto, piamente guardado num porquinho de barro ou por entre pares de peúgas, na velha cómoda da avó – ela vai sobreviver.

Tenho a certeza. Seja como mulher a dias, empregada de Café ou call girl em alguma rede de telemóveis. Não é por acaso que se é infanta.

Se bem que (aqui entre nós) “infanta” seja uma palavra esquisita, feiosa, aboborada, mesmo. Enquanto que “infante” é, enfim, razoável, tem um bom e elegante som – em “infanta” (palavra realmente feia e horrível, tenham paciência) há qualquer coisa de gorda, de grande, de rebordona, de adiposo e suado, sei lá.

Onomatopeias cerebrais, é o que é.

Carlos

(17 de Fevereiro de 2017)

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: