UMAR – COMUNICADO DE IMPRENSA – 8 de MARÇO – DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES – ALCANÇANDO DIREITOS, CONSTRUINDO RESISTÊNCIAS

Há 160 anos as mulheres lutaram por menos horas de trabalho e por salários dignos.

Apesar dos avanços no estatuto das mulheres, hoje continuamos a exigir que terminem as discriminações no trabalho.

Em diversos países, há meio século, as feministas levantaram o slogan: “O pessoal é político” e exigiram a condenação da violência contra as mulheres nas relações de intimidade e a despenalização do aborto.

Em Portugal, o 25 de abril de 1974 trouxe direitos inegáveis, mas a violência sobre as mulheres, os direitos sexuais e reprodutivos e as sexualidades na sua diversidade de orientações e identidades tardaram a entrar na agenda política.

Por isso, só este ano, podemos comemorar os 10 anos da vitória no referendo sobre o aborto que permitiu a interrupção de uma gravidez não desejada, por opção da mulher, através do Serviço Nacional de Saúde.

Apesar dos avanços nas medidas de apoio às mulheres vítimas de violência continuamos a olhar para a gravidade deste flagelo, quando nos deparamos com 454 mulheres assassinadas por maridos, companheiros, ex-companheiros ou namorados, nos últimos treze anos (dados da UMAR, do Observatório das Mulheres Assassinadas).

Estudos recentes sobre a violência no namoro (UMAR, 2016/2017), mostram que esta realidade tem de ser enfrentada com medidas urgentes na área da Educação onde a Igualdade de Género e a Cidadania possam fazer parte dos currículos escolares.

Continuam a pesar as múltiplas discriminações que afectam as mulheres imigrantes, a população LGBTI+, as mulheres afrodescendentes, as negras, ciganas, as pessoas que vivem de serviços sexuais sem quaisquer direitos.

Como costumamos dizer: “As nossas lutas são todos os dias” contra o sexismo, o conservadorismo, contra uma sociedade patriarcal que alimenta o machismo, a misoginia, a LGBTQIobia, o racismo e outras formas de discriminação.

A situação actual no mundo, com as políticas racistas, homofóbicas, anti-feministas e bélicas de Donald Trump, que engrossam o caudal das forças conservadoras e fascizantes, constitui uma grave ameaça à qual é preciso resistir e responder.

Bem sabemos como todos os direitos alcançados são passíveis de recuos. Precisamos de denunciar, de criar elos onde a interseccionalidade das lutas permitam não só resistir, como possibilitar novos avanços nos nossos direitos.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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