
A Universidade em queda livre
Talvez tenham achado demasiado contundente a minha posição face ao Magnifico Reitor e à sua transformação da Universidade num espaço de autómatos onde trabalha gente com o mesmo estatuto de precariedade que as empregadas domésticas pagas à hora e a terem de ignorar o que são direitos laborais, se querem ganhar algum. Foi mais ou menos o que escrevi no texto Crise da democracia, crise da Política, Crise da Economia: o olhar de alguns analistas não neoliberais -Introdução a uma série de textos
Longe de mim pensar que uma semana depois de ter escrito o texto sobre o ensino universitário em Portugal ou algures, a Faculdade onde trabalhei mais de 30 anos era “sacudida” por aquilo que eu denunciava. A realidade, como me diz o meu amigo Domenico Mario Nuti, parece correr mais rápido que o nosso pensamento no que diz respeito às más notícias. Esta é uma delas que nunca imaginaria quando escrevi o referido texto. Vejam com atenção, o anúncio abaixo reproduzido do site da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra ( FEUC).
Anúncios como este abaixo reproduzido iremos ver vários ao longo deste ano. Refira-se, alto e bom som, que estes anúncios não são o produto de uma gestão de Faculdade a Faculdade, mas sim o resultado imediato de uma gestão central, da Reitoria e da nova tabela de remunerações pelo Magnífico Reitor estabelecida, onde se estabelecem cortes de salários para os docentes convidados na ordem dos 40%, o que representa um claro desprezo por quem ensina e não está enquadrado pelo estatuto da carreira docente. A partir daí, irão ser múltiplos os docentes que se “despedem” da Universidade e que irão ser substituídos por outros agora em condições bem piores que aqueles tiveram. E isto será necessariamente assim, Faculdade a Faculdade. Múltiplas manifestações de interesses em empregos precários irão ser publicados ao longo do ano, pelas diversas Faculdades onde se passará a aplicar o regime agora estabelecido pelo Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, a menos que a autoridade de tutela possa interceder sobre esta prática tão chocante. Pelo que se diz, haverá ainda Universidades em pior situação, onde um regime remuneratório semelhante é aplicado apenas em 10 meses em 12. Quando não há aulas ou exames não há remunerações. Em Coimbra ainda se aplica em 12 meses por ano!
Veja-se então o anúncio da FEUC, semelhante pois a muitos que iremos ver por este país, pelas suas diversas Faculdades:
Professor Auxiliar Convidado – Manifestação de Interesse
Data de publicação: 07-03-2017 11:37:


