EDITORIAL- Ainda o Acordo Ortográfico

 

Imagem2A Associação Portuguesa de Escritores levou a cabo entre os seus associados um inquérito sobre este assunto – quem aprova, quem reprova e a quem o é assunto indiferente. 90% dos inquiridos reprovou o AO. Nós, neste blogue,  como sempre temos dito, não  temos uma opinião que possamos assumir colectivamente. No entanto, sabemos que a esmagadora maioria dos argonautas é contra esta agressão contra a língua portuguesa   que, defendida com falácias e argumentos inconsistentes, não colhe  a aprovação da generalidade dos colaboradores.

Respeitamos a decisão de aprovar uma alteração em que nenhuma das razões invocadas nos convencem – o argumento de que a adopção das novas regras permitirá um mais fácil acesso das edições portuguesas ao mercado brasileiro (cinco vezes superior ao nosso), é um argumento sem qualquer consistência – o que torna o português  europeu intragável para os leitores e auditores brasileiros, não é a ortografia. A barreira é sobretudo,  de natureza fonética e sintáctica. Há outros factores, como os índices de iliteracia, por exemplo.

Compreendemos que exista uma componente política e que o país mais importante da CPLP é o Brasil e que, por esse motivo, se implante uma hegemonia brasileira no campo do idioma comum. O português nasceu na Galiza. Os galegos, que deram a criança à luz, e que, nessa medida, deveriam colar-se a quem, durante sete ou oito séculos, alimentou, agasalhou e educou o seu filho, parecem apoiar o abrasileiramento do idioma. Razão política que respeitamos.

O Processo de Bolonha sanciona a existência da Literatura e da Língua brasileira. De facto, uma Nação com 15 ou 16 milhões de falantes da sua língua – contando com os da Diáspora –  não tem o direito de  impor as suas regras a um universo que vai a caminho dos 300 milhões,

 A dignidade nacional exige, no entanto,  que se preserve o português que Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões, António Vieira, Bocage, Almeida Garrett… e muitos outros nos legaram.  Jorge Amado, Clarice Lispector, Germano de Almeida, Pepetela, Mia Couto, deram uma importante ajuda.  Nâo deixámos que nos castelhanizassem o idioma, nem que o All right se transformasse num tudo bem?, quando sabemos que quase tudo vai mal.

 A língua portuguesa é a nossa pátria. Mas as fronteiras estão abertas.

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