EDITORIAL – Do mal, o menos…

No dia 30 de Março de 1922, o almirante Gago Coutinho (1888-1959) partia de Lisboa, com Sacadura Cabral, a bordo do hidroavião Lusitânia, chegando ao Rio de Janeiro, em 17 de Junho, e completando assim a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, após uma viagem acidentada. Precioso auxiliar da navegação aérea, foi o sextante inventado por Gago Coutinho em 1919 e que ostenta o seu nome. Faria todo o sentido dar o seu nome a um dos aeroportos internacionais portugueses. Acaba de ser atribuído ao do Funchal o nome de Cristiano Ronaldo.

Nada temos contra o futebolista excepcional que Cristiano de facto é e não há dúvidas de que além de ser o madeirense mais famoso da actualidade, é um dos  portugueses mais conhecido além-fronteiras. As coisas são como são – não somos elitistas e aceitámos a deposição no Panteão Nacional dos restos mortais de Amália e de Eusébio. Carmona, um serventuário de Salazar, e Sidónio Pais, um arauto do fascismo, merecem menos lá estar do que a fadista e o futebolista. A questão que levantamos é – Pinga, Pepe, Peyroteo, Chico Ferreira, também foram grandes futebolistas e hoje quase ninguém os recorda.. Será que daqui a cem anos ainda se saberá quem foi Cristiano Ronaldo? E ainda haverá futebol?

Claro que também cabe a pergunta – ainda haverá aviões?

Gago Coutinho foi registado em Lisboa, mas nasceu no Algarve, em São Brás de Alportel. Dar o seu nome ao Aeroporto Internacional de Faro, era bonito e justo.

Não concordamos com a decisão de dar nome de um futebolista (excelente) a uma infraestrutura que nada tem a ver com o desporto- Em todo o caso teria sido pior se tivessem optado por baptizá-lo com o nome…bem sabemos de quem

Leave a Reply