EDITORIAL: The Sun atemoriza com a possibilidade de um tsunami na Peninsula Ibérica

Hoje, optamos por um editorial diferente – uma notícia do jornal londrino The Sun, alerta os leitores para a iminência de um tsunami na Península Ibérica. The Sun é um dos mais famosos tablóides do mundo – vende quase três milhões de exemplares por dia. Tablóide é aqui empregue quer na acepção  substantiva, primária, referente ao formato reduzido, mas também com  o papel adjectivante de jornal populista, demagógico e formador de uma opinião pública favorável a manobras e interesses que nada têm a ver com a função jornalística. E essa suspeição levou-nos a uma reflexão sobre a função actual da imprensa e, na generalidade, da comunicação social. Já aqui temos referido a tese da politóloga e professora Ángeles Díez que, numa conferência proferida em Madrid,  pôs em causa a ideia, difundida principalmente nos meios alternativos, de que as grandes corporações mediáticas e, por extensão, os meios de que são proprietárias, constituem armas nas mãos dos poderosos para desencadear guerras e controlar o poder. Na sua dissertação, a  politóloga expendeu uma teoria mais audaciosa: os grandes empórios são  “eles mesmos,  a guerra e o poder”.

Na realidade, analisando a composição dos principais grupos editoriais, verificamos que muitas vezes, os seus interesses mais vultuosos nem sequer se situam nos meios de comunicação, mas sim no sector petrolífero e noutras áreas da economia – da indústria hoteleira à indústria de armamento.

Um bom exemplo desse convívio entre meios de informação e meios de construção de notícias é a do conglomerado  que Jean-Luc Lagardère constituiu – desde o poderoso grupo editorial Hachette ao grupo Matra, que desde a investigação na área das telecomunicações civis, aos transportes e à alta tecnologia militar (o fabrico dos caças Mirage, por exemplo). A desmesurada ambição de Lagardère (a quem chamavam o polvo, pelos numerosos tentáculos que possuía) levou o conglomerado à quase falência – ele morreu em 2002, mas seu filho Arnaud tem vindo a recuperar – a sua filial Aérospatiale-Matra foi una das fundadoras da European Aeronautic Defence and Space (EADS) (actual Airbus Group), naquela altura a mais importante companhia da União  Europeia na sua área.

E aqui se situa o ponto a que queríamos chegar: um tsunami pode, de facto, ocorrer em qualquer ponto da nossa península. Não poderá acontecer nas Ilhas Britânicas? Não será que o afluxo turístico que nos beneficia, provoca estas previsões catastrofistas?

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