EDITORIAL – da Nau Catrineta ao Titanic – crónica breve de naufrágios.

A história da Nau Catrineta, uma jóia do cancioneiro popular, terá tido origem num naufrágio ocorrido no século XVI com uma nau portuguesa; há a história, mais antiga, da Arca de Noé, segundo a qual Jeová terá ordenado a Noé que construísse uma arca flutuante e nela embarcasse com seus três filhos e três noras, metendo a bordo um casal, macho e fêmea, de cada espécie. Mesmo que isto tivesse ocorrido antes da deriva dos continentes, Noé deve ter tido um trabalhão a correr atrás de animais, a verificar qual o seu sexo, e a arrumá-los num dos três andares da arca,,, Sabe-se que demorou muito tempo até conseguir cumprir as ordens superiores e nem queremos imaginar o que seria a vida a bordo . copulações, incestos… O rigor científico que se evola deste conteúdo que nos conta como e que a humanidade escapou de um dilúvio, demonstra que, com histórias deste tipo, se justifica plenamente que os Palestinianos tenham sido desapossados da sua terra; a nave dos loucos que Sebatian Brant, tripulada por malucos (bipolares, talvez….), demandava a terra da Cocanha, que devia ter fronteira com a Utopia de Thomas More… E temos a Argos.

Faz hoje 105 anos, partiu de Inglaterra rumo aos Estados Unidos o Titanic. Dispensamo-nos de descrever as maravilhas técnicas e tecnológicas que transformavam o gigantesco paquete em algo de indestrutível, Devia ser muito mais sofisticado do que a Arca de Noé e a vida a bordo devia ser mais higiénica. Porém, cinco dias após a partida, como sabemos, um icebergue meteu-se à frente do nayio e afundou-o, vitimando um milhar e meio de pessoas. A Nau Catrineta não teve tão triste sorte, obrigou os tripulantes a comer os sapatos; a nave dos loucos não há meio de arribar à Cocanha e a Argos, bem a Argos tem uma missão complicada – o velo de ouro, mesmo em sentido figurado, significando a justiça, a dignidade, o respeito pela vida, não é coisa fácil.

A culpa deve ter sido do Noé – o excesso de zelo deve tê-lo levado a apanhar alguma espécie parecida com a humana, mas profundamente desumana. O mundo  é um Titanic. E os icebergues que  podem entrar em rota de colisão connosco são muitos. Bem podemos contruir teorias, sonhar com sociedades perfeitas. Teoricamente, perfeitas. O Noé tem de ser chamado à pedra – meteu e bordo da arca seres com figura humana, mas que não são pessoas.

E agora é o que se vê.

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